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Projeto de EDS


ANÁLISE DA PARTE H DA PESQUISA TIC 2010 LEVANDO EM
CONSIDERAÇÃO SOMENTE A VARIÁVEL “ÁREAS: URBANA E
RURAL” COM BASE NO AUTOR ÉMILE DURKHEIM

 

RESUMO

 A pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil (TIC 2010) mostram alguns dados relativos ao comércio eletrônico, se separados por áreas (urbana e rural) mostram uma leve tendência ao consumo online pelos domicílios da área urbana, fato que pode ser interpretado de acordo com as ideias do filósofo Émile Durkheim. A análise dos dados do módulo H – Comércio Eletrônico da pesquisa TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) 2010 por uma perspectiva durkheimiana, envolvem os conceitos mais básicos de fato social, consciência coletiva, solidariedade orgânica e solidariedade mecânica. Os dados disponíveis na pesquisa atrelados à estes conceitos fundamentais, mostram-se de elevada importância para o entendimento do comportamento da sociedade no que se refere ao comércio eletrônico.

Palavras-chave: TIC 2010, Área Urbana, Área Rural, Émile Durkheim, Comércio Eletrônico.

1 INTRODUÇÃO

O consumo pela Internet foi mais incentivado ao longo dos últimos anos, quer por seus preços baixos em comparativo com o comércio dito tradicional, quer pelos incentivos da mídia impressa e televisa – afinal, a divulgação de sites de compras em comerciais televisivos estão muito mais frequentes se comparados com alguns anos atrás.

O mercado de vendas eletrônicas é um mercado em franca expansão e o Brasil tem a perspectiva de se tornar o segundo maior mercado para este tipo de negócio no mundo.

Verifica-se que no Brasil, a maioria das pessoas no momento da decisão de compra, confia muito mais na opinião dos outros do que na própria publicidade convencional. Por isso que opiniões postadas na internet e o antigo “boca a boca” ainda são as propagandas mais confiáveis. Com a internet, o hábito de decidir comprar ou não tal produto ou serviço, baseado na recomendação de pessoas conhecidas ou de uma comunidade, ganhou força total e é prática comum na atualidade.

Conceitos Durkheimianos como fato social, solidariedades orgânica e mecânica e consciência coletiva são relevantes para análise da pesquisa, pela perspectiva escolhida: afinal, o consumo é invariavelmente estimulado por pensamentos coletivos de uma determinada sociedade e o consumo online também é influenciado da mesma maneira, mesmo de que em diferentes proporções entre áreas urbanas e rurais, o que se explica principalmente pela facilidade de acesso à internet que as áreas urbanas têm se comparadas com as áreas rurais.

2 DESENVOLVIMENTO

Nota-se pela Figura 1 que a proporção dos indivíduos pesquisados é cerca de cinco vezes maior na área urbana que na área rural o que se explica, principalmente, pela facilidade de acesso à internet na área urbana para os domicílios. Desprende-se que, a solidariedade da área rural é predominantemente mecânica, pelo fato que a sociedade rural se enquadra no primeiro tipo de solidariedade descrito por Durkheim, uma solidariedade que liga diretamente os indivíduos à sociedade sem nenhum intermediário, cujas crenças e sentimentos são comuns a todos os membros do grupo, com uma consciência coletiva sobrepondo-se à consciência individual.

Já a solidariedade encontrada nas áreas urbanas seria predominantemente a solidariedade orgânica, por ser uma sociedade que valoriza muito mais a consciência individual, onde a solidariedade é dependente das partes que a compõe.

Figura 1: Gráfico intitulado “Perfil da amostra, por Área – Total Brasil 2010 (%)” disponível na página 129 da pesquisa TIC 2010.

Analisando agora a parte do comércio eletrônico, percebe-se que a pesquisa online dos preços é mais frequente na área urbana – sendo, inclusive, majoritária nessa área – quando comparada à área rural; o que se explica pela facilidade de acesso à Internet que a área urbana possui e que a Figura 1 exemplifica.

Figura 2: Trecho de Tabela disponível na página 471 da pesquisa TIC 2010.

O fato social que ocorre na área urbana, onde os indivíduos são estimulados à pesquisar preços na Internet, têm como “consciência coletiva” o pensamento que diz que os preços de comércios e serviços online podem ser mais baratos que os preços do comércio dito tradicional.

A falta de pesquisa de preços online na área rural mostra uma consciência coletiva que predispõe que pesquisar preços online não é relevante para os indivíduos domiciliados no campo, essa consciência coletiva provavelmente sugere que os indivíduos do campo (rurais) preferem pesquisar preços pelo comércio tradicional, pelos mais diversos motivos.

Figura 3: Trecho de Tabela disponível na página 472 da pesquisa TIC 2010

Se para as áreas urbanas a pesquisa de preços é majoritária, o consumo via Internet ainda não se estabeleceu como inerente da sociedade urbana brasileira, como já o é em outros países. No campo, o percentual cai para menos de 10% dos indivíduos, o

que reflete que, se nas regiões metropolitanas há um certo receio em se comprar online, o receio do campo é ainda maior, indicado pela Figura 3.

A figura 3 demonstra que a sociedade brasileira num caráter geral ainda não possui o fato social que estimula o consumo por Internet, mesmo que os brasileiros já se utilizem da Internet para pesquisar preços, ainda não julgam que o custo/benefício seja favorável ao consumo virtual; contudo, estima-se que a população brasileira vai se adaptar ao comércio virtual, pelas vantagens que a Internet oferece para os consumidores, principalmente no quesito preço.

Apesar da figura 3 demonstrar como a consciência coletiva da sociedade brasileira, tanto rural quanto urbana, ainda não é adepta de comprar online, dentre os que consomem, porém, há a preponderância no consumo online de eletrônicos e eletrodomésticos, evidenciado na figura 4.

A compra online destes bens (eletrônicos e eletrodomésticos) de preços razoavelmente elevados se comparados com outros produtos (flores, por exemplo) indicam uma preferência de compras online para os produtos mais caros, de bens duráveis; muito provavelmente pelas promoções que os sites de venda online oferecem.

Apesar das compras online serem tidas pela sociedade como “perigosas” (pela figura 7, pode-se ver desses alguns motivos), tradicionalmente, o maior fato social de qualquer sociedade capitalista é a busca pelo menor preço e, como há uma grande influência da mídia no incentivo das compras, o fato social muito provavelmente está se modificando aos poucos.

Figura 4: Trecho de Tabelas disponíveis nas páginas 474, 475 e 476 da pesquisa TIC 2010

Quanto a forma de pagamento, nota-se uma preferência pelo pagamento com cartão de crédito e pelo boleto bancário para as compras feitas pela internet, na Figura 5, temos praticamente o mesmo percentual para compradores da área urbana e da área rural. Provavelmente, isso se deve ao fato de que é muito mais fácil

A explicação é simples: enquanto o cartão de crédito pode ser pago em um parcelamento razoável sobre tudo gasto, o boleto evita fraudes e roubo de número e senha do cartão, além dos descontos oferecidos por essa forma de pagamento, por ser o que no comércio tradicional é chamado de “pagamento à vista”.

Figura 5: Trecho de Tabelas disponíveis nas páginas 477 e 478 da pesquisa TIC 2010

Ao pensarmos na proporção de indivíduos com problemas em compras online, temos novamente um empate, na figura 6, é possível identificar que apenas 11% tiveram problemas em adquirir produtos e serviços via web. Podemos analisar uma série de fatores, expressos na figura 7, que relacionam os problemas enfrentados com motivos para não se comprar pela internet. Mas é provável que em poucos anos este cenário mude, já que a tendência mundial é unir a praticidade das compras virtuais junto com a oferta de preços competitivos.

Figura 6: Trecho de Tabela disponível na página 479 da pesquisa TIC 2010

Ainda assim, pelos motivos para não se comprar pela internet, temos como principais motivos o gosto por comprar pessoalmente/ver o produto, a não necessidade/interesse nesse tipo de compra e a preocupação com privacidade. É notório que essas são as principais dificuldades que os comerciantes virtuais enfrentam, visto que é uma consciência coletiva o gosto de comprar vendo o produto, para experimentar, testar, ou simplesmente pelo fato do desconto na hora, coisa que não é possível pela internet. Além disso, onde há muita informação disponível, é possível encontrar informações ruins. Isso também vale para sites. Apesar de haverem um número significativo de sites confiáveis, também existem inúmeros sites com preços convidativos, que na verdade não possuem veracidade em suas informações. Pessoas que não têm sensibilidade a esse tipo de problema estão expostas a essas fraudes, o que pode gerar um alto índice de pessoas com grandes motivos para não fazer compras online.

Figura 7: Trechos de Tabelas disponíveis nas páginas 480, 48, 482 e 483 da pesquisa TIC 2010

Por fim, analisando-se a pesquisa da quantidade de pessoas que já divulgou/vendeu coisas na internet, podemos perceber que a esmagadora maioria nunca o fez. Com certeza é um senso comum de que as pessoas compram pela internet, e não vendem. Isso se dá ao fato de que as pessoas tendem a comprar de sites grandes e conhecidos, onde há preços baixos e competitivos, e não em tentar vender produtos e/ou serviços singulares em qualquer site e com o risco de não conseguir vender.

Figura 8: Trecho de Tabela disponível na página 484 da pesquisa TIC 2010

3 CONCLUSÃO

Pela visão Durkheimiana, consciência coletiva é o conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria; e fato social é qualquer forma de indução sobre os indivíduos, tida como uma coisa exterior a eles, tendo uma existência independente e estabelecida em toda a sociedade, que é considerada então como caracterizada pelo conjunto de fatos sociais estabelecidos, ou seja, como uma norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo.

Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar e interpretar a vida, pode-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base do que Durkheim chamou de consciência coletiva.

Segundo Durkheim “para que exista o fato social é preciso que pelo menos vários indivíduos tenham misturado sua ações e que dessa combinação tenha surgido um produto novo”. Esse produto novo, constituído por formas coletivas de agir e pensar se manifesta como uma realidade externa às pessoas. Ele é dotado de vida própria,não depende de um indivíduo ou outro.

“Mas, dirão, um fenômeno só pode ser coletivo se for comum a todos os membros da sociedade ou, pelo menos, à maior parte deles, portanto, se for geral. Certamente, mas, se ele é geral, é porque é coletivo (isto é, mais ou menos obrigatório), o que é bem diferente de ser coletivo por ser geral. Esse fenômeno é um estado do grupo, que se repete nos indivíduos porque se impõe a eles. Ele está em cada parte porque está no todo, o que é diferente de estar no todo por estar nas partes”. (As regras do método sociológico, p.09).

Assim, se analisarmos a compra virtual como um todo, ainda não temos um fato social. Todas as pesquisas indiciam sim um fato social que está próximo de acontecer. Porém, ainda não podemos considerar este fato como uma consciência coletiva, pois a tecnologia ainda não atingiu a todos, mas com a inclusão digital que vem ocorrendo há alguns anos, é notório que esse hábito crescerá na população.

4 REFERÊNCIAS

DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. (Capítulos: Divisões da Sociologia: as ciências sociais particulares; O que é fato social?; Julgamentos de valor e julgamentos de realidade; Método para determinar a função da divisão do trabalho; Solidariedade Mecânica; Solidariedade Orgânica; Preponderância Progressiva da Solidaried ade Orgânica; Divisão do Trabalho Anômica );

Quintaneiro, Tânia; Barbosa, Maria Lígia de Oliveira; Oliveira, Maria Gardênia de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, 2ª edição.

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Publicado por em 27 de abril de 2012 em EDS

 

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Weber: Os Três Tipos Puros de Dominação Legítima


1-) O que é poder e dominação para Weber?

Poder “significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social,  mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade” (Weber. Economia e sociedade). Logo, o poder não é específico, já que essa imposição de vontade pode acontecer de diversas formas.  Weber escreveu também: “Os meios utilizados para alcançar o poder podem ser muito diversos, desde o emprego da simples violência até a propaganda e o sufrágio por procedimentos rudes ou delicados: dinheiro, influência social, poder da palavra, sugestão e engano grosseiro, tática mais ou menos hábil de obstrução dentro das assembléias parlamentares.”
Dominação significa “a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato, pode fundar-se em diversos motivos de submissão. Pode depender diretamente de uma constelação de interesses, ou seja, de considerações utilitárias de vantagens e inconvenientes por parte daquele que obedece. Pode também depender de mero “costume”, do hábito cego de um comportamento inveterado. Ou pode fundar-se, finalmente, no puro afeto, na mera inclinação pessoal do súdito.” (Max Weber, Três Tipos Puros de Dominação Legítima).

2-) Qual a diferença de dominação legítima para ilegítima?

“A luta pelo estabelecimento de uma forma de dominação legítima – isto é, de definições de conteúdos considerados válidos pelos participantes das relações sociais – marca a evolução de cada uma das esferas da vida coletiva em particular e define o conteúdo das relações sociais no seu interior.” (Um Toque de Clássicos). Max Weber explicou os três tipos puros de dominação como:
1. Dominação Legal: cujo tipo mais puro (segundo o próprio Weber) é a dominação burocrática.
 2. Dominação Tradicional: “Dominação tradicional em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Seu tipo mais puro é o da dominação patriarcal.” (Max Weber).
3. Dominação Carismática:  “Dominação carismática em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de oratória. O sempre novo, o extracotidiano, o inaudito e o arrebatamento emotivo que provocam constituem aqui a força de devoção pessoal. Seus tipos mais puros são a dominação do profeta, do herói guerreiro e do grande demagogo.” (Max Weber)

Dominação Ilegítima: “O poppolo italiano não era só um conceito econômico, mas também político: um particular ajuntamento político dentro de um outro ajuntamento, com funcionários próprios, finanças próprias e um regime militar próprio(…) como um Estado dentro de um outro Estado, (…) a primeira associação política ilegítima e revolucionária de modo consciente” (Weber,1992: 999).

“Conceito de “dominação ilegítima”, que por outro lado intitula este estudo de Weber. Com uma “inovação revolucionária”, os habitantes das cidades (burguesia urbana) da idade média, ao defender seus interesses econômicos, procuravam facilitar o ingresso de novos membros à cidade e a libertação dos servos que, tendo residido nela durante algum tempo, tinham alcançado certo grau de bem estar econômico. Esse povo urbano tinha alcançado certo grau de organização econômica e também política e social, por isso podia emancipar-se da tutela dos senhores feudais. Segundo Weber, a religião cristã também teve um papel de importância nesse processo emancipador na medida em que não colocava nenhum tipo de limitação de tipo mágico como acontecia na constituição clânica das cidades do oriente.”¹

3-) Podemos encontrar em um dado fenômeno apenas um tipo de dominação?

Não. Os fenômenos são envolvidos por mais de um tipo de dominação, estando presente a dominação em diversos “graus” e/ ou intensidades.

4) Como Weber define Estado?

Se a política esta em toda a história humana, logo passa de uma atividade do ser humano, porém não se pode confundir com o Estado, que corresponde a “[…] racionalização da civilização humana” (FREUND, 1987, p. 159). Logo, a política é anterior ao Estado. Na visão de Weber, o Estado se define como “[…] a estrutura ou o agrupamento político que reivindica com êxito o monopólio do constrangimento físico legítimo”.

Dessa forma, de um lado atuaria a racionalização do direito, consequentemente a especialização do poder legislativo e judiciário, voltado para uma política que tem o objetivo de manter a segurança dos indivíduos, logo procura assegurar a ordem pública, do outro lado se vincula a uma administração racional, que estaria baseado em “regulamentos explícitos”, que pode intervir nos mais diversos domínios, exemplo cultura, saúde economia, dispondo de uma força militar permanente.

5) O que é ação social?

“A ação social é aquela que é orientada ao outro. No entanto, há algumas atitudes coletivas que não podem ser consideradas sociais. A ação social, para Max Weber, pode ser dividida em quatro ações fundamentais: ação social racional com relação a fins, ação social racional com relação a valores, ação social afetiva e ação social tradicional.
1. Ação social racional com relação a fins, na qual a ação é estritamente racional. Toma-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim;

2. Ação social racional com relação a valores, na qual não é o fim que orienta a ação, mas o valor, seja este ético, religioso, político ou estético;

3. Ação social afetiva, em que a conduta é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc., e

4. Ação social tradicional, que tem como fonte motivadora os costumes ou hábitos arraigados.” (Brasil Escola)

FONTES:

Um toque de Clássicos

Três Tipos Puros de Dominação Legítima, Max Weber

Max Weber

 
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Publicado por em 16 de abril de 2012 em EDS

 

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Max Weber


1-) Qual a importância de Max Weber para as Ciências Sociais?

Max Weber, abreviação de Maximilian Carl Emil Weber (1864-1920), é considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia. Weber associou o surgimento do capitalismo com o surgimento e desenvolvimento do Protestantismo, em sua obra mais famosa: “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, ele passa a refletir quais elementos da espiritualidade protestante influenciaram no capitalismo. O intelectual alemão, jurista e economista, argumenta que a religião era uma das razões não-exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas.

Weber concentra seu trabalho no processo de racionalização e desencantamento (que tem origem na sociedade moderna e capitalista). Elaborou dois conceitos fundamentais para o estudo sociológico de tipo ideal e ação social. Em um de seus trabalhos, A política como vocação, Weber define o Estado como “uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da força física”, uma definição que se tornou fundamental no estudo da ciência política moderna no Ocidente.

É importante destacar o fato de Max Weber ter tido uma sólida formação acadêmica, estudou na Universidade Humboldt, em Berlim e trabalhou nas universidades de Freiburg, Heidelberg, Viena e Munique. Altamente influente na política alemã, foi consultor dos negociadores alemães no Tratado de Versalhes (1919) e da Comissão encarregada de redigir a Constituição de Weimar.

2-) Como Weber tratava os julgamentos de valor e o saber empírico?

Para Weber, os valores e ideais que inspiram um cientista social são intrínsecos à busca do conhecimento; daí sua crítica ao positivismo. Porém, ele propunha uma clara distinção entre os “julgamentos de valor” e o “saber empírico”;

A ciência social compreende ambos os aspectos, já que os julgamentos de valor estão no significado dado aos objetos e problemas, enquanto o saber empírico está relacionado com a busca de respostas às questões formuladas, por meio dos instrumentos racionais da ciência; Todavia, o cientista social não deve estabelecer receitas para a praxis, nem dizer o que deve ser feito, mas sim o que pode ser feito. Isso porque a ação prática vincula-se a deveres e convicções que estão ancorados no mundo da política prática.

E, para Weber, a ciência social deve distinguir-se dessa esfera tanto quanto possível; Nesse sentido, ele dizia que: “A tarefa do professor é servir aos seus alunos com o seu conhecimento e experiência e, não, impor-lhe suas opiniões políticas pessoais”. Em outras palavras, a ciência (e o professor que é representante dela) tem um compromisso com a “verdade” que não deve ser restringido pelas crenças e convicções políticas de qualquer de seus praticantes.

3-) Para Weber, o que é objetividade?

A respeito da epistemologia, Weber deixou claro que ele entendia que o porto seguro do conhecimento não era o ponto de partida, como afirmava o positivismo francês. O ponto de partida não deveria ser visto como o do agente cognitivo com esquemas capazes de se deparar com os “dados da realidade” de forma bruta.
O ponto de partida teria de ser entendido como o do agente cognitivo colocando seus esquemas de apreensão sobre a realidade, e construindo então os “dados” a partir de esquemas já alterados pela própria forma interação com a realidade social.
Assim, a objetividade deveria ser grafada deste modo: “objetividade”, com aspas. Com isso, Weber queria mostrar que a concordância teórica ao final de uma investigação não era nada natural, e sim um esforço compreensivo grande, uma vez que agentes diferentes partiam de pontos de vista diferentes.
4-) Weber acredita na objetividade do conhecimento?

Sim, pois ele queria alcançar um conhecimento objetivo das ciências sociais, mesmo que ele se encontre dentro da esfera de valores; e, por mais que ele acredite que cada obra possui tendências (valores) que levam os autores às suas conclusões científicas – o que é subjetivo -, o próprio Weber afirmava ser impossível de existir conhecimento sem valores vinculados à realidade de alguma forma.
A neutralidade valorativa da ciência não está em oposição ao ato de valorar a vida, mas, mais do que isto, é a paixão de valorar e do querer que engendra, como seu próprio esclarecimento e auto-educação, a legítima objetividade da pesquisa”. (VIEIRA, Adriane; CARRIERI, Alexandre de Paula. Max Weber e a questão do método nas ciências sociais. Economia & Gestão, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, jul./dez. 2001. p. 13.).
Melhor dizendo, como explicou Carlos Lucena (http://www.carloslucena.pro.br/?page_id=168): “O cientista, para determinar seu objeto de estudo, está obrigado a fazer uma opção sobre a realidade, que exige um procedimento tipo relação de valores. A ciência humana é animada por questões que os cientistas dirigem à realidade. O interesse das respostas depende do interesse das questões. Weber afirma que é preciso ter interesse daquilo que os homens viveram para compreendê-los autenticamente; mas é preciso distanciar-se do próprio interesse para encontrar uma resposta universalmente válida a uma questão inspirada pelas paixões do homem histórico. Nenhuma ciência deverá dizer aos homens como devem viver, ou ensinar as sociedades como se devem organizar. Nenhuma ciência poderá indicar a sociedade qual é o seu futuro. A primeira negação o opõe a Durkhein e a segunda a Marx.” 

 

5-) O que são tipos ideais?

Um tipo ideal é uma construção analítica que serve ao investigador como ferramenta de mensuração para encontrar similaridades, bem como desvios, em casos concretos. Ele fornece o método básico para um estudo comparativo.
Não espera-se que um tipo ideal se baseie em valores morais. E Weber não os cria baseando-se em médias estatísticas. O tipo ideal envolve ações típicas de conduta relacionada a determinado assunto, e ele nunca corresponde à realidade concreta: está sempre um passo adiante. O tipo ideal é composto por certos elementos da realidade e forma um todo preciso e coerente, que não pode ser encontrado como tal na realidade.
Os tipos ideais permitem aos pesquisadores construírem hipóteses, ligando-as com as condições que colocaram o fenômeno ou o evento em evidência, ou com as consequencias que seguem o seu surgimento. 
Os três tipos ideais de Weber distinguem-se pelos níveis de abstração. Primeiro estão os tipos ideais baseados em particularidades históricas, como as “cidades ocidentais”, “a ética protestante” ou o “capitalismo moderno”. Refere-se a fenômenos que aparecem apenas em períodos históricos específicos e em áreas culturais particulares. O segundo tipo envolve elementos abstratos da realidade social, como “burocracia” ou “feudalismo” — encontrados em contextos históricos e culturais. Por último, o qual Raymond Aron chama de “reconstruções racionais de um tipo particular de comportamento”. Todas as proposições na teoria econômica são, para Weber, deste tipo.
 
FONTES:

 
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Publicado por em 9 de abril de 2012 em EDS

 

Marx


1-) Por que, para Marx, tudo pode ser considerado Mercadoria?
A burguesia, agente da modernidade, tornou tudo vendável, dessacralizou a família e desmascarou a religião, tornou profano o que era sacro, tudo virou mercadoria, tudo pode ser vendido ou comprado e gerar lucro. Até mesmo a propaganda anticapitalista pode ser capitalizável se vendável. O próprio comunismo pode virar uma mercadoria.
2-) O que é valor de uso? / 3-) O que é valor de troca?
Um valor de uso tem que satisfazer algumas necessidades humanas específicas. Se você tem fome, um livro não poderá satisfazê-lo. Em contraste, o valor de troca de uma mercadoria é simplesmente o montante pelo qual será trocado por outras mercadorias. Os valores de troca refletem mais o que as mercadorias têm em comum entre si, do que suas qualidades específicas. Um pão pode ser trocado por um abridor de latas, seja diretamente ou por meio de dinheiro, mesmo que suas utilidades sejam muito diferentes. O que é isso que eles têm em comum, que permite a ocorrência dessa troca?
A resposta de Marx é que todas as mercadorias tem um valor, do qual o valor de troca é simplesmente o seu reflexo. Esse valor representa o custo de produção de uma mercadoria à sociedade. Pelo fato de que a força de trabalho é a força motriz da produção, esse custo só pode ser medido pela quantidade de trabalho que foi devotada à mercadoria.
Mas por trabalho Marx não se refere ao tipo particular de trabalho envolvido em, digamos, assar um pão ou manufaturar um abridor de latas. Esse trabalho real, concreto, como disse Marx, é variado e complexo demais para nos fornecer a medida de valor que necessitamos. Para encontrar essa medida nós devemos abstrair o trabalho de sua forma concreta. Marx escreve: “Portanto, um valor de uso ou um bem possui valor, apenas, porque nele está objetivado ou materializado trabalho humano abstrato”. (C1, p 47)
“Todo trabalho é, por um lado, dispêndio de força de trabalho do homem no sentido fisiológico, e nessa qualidade de trabalho humano igual ou trabalho humano abstrato gera o valor da mercadoria. Todo trabalho é, por outro lado, dispêndio de força de trabalho do homem sob forma especificamente adequada a um fim, e nessa qualidade de trabalho humano concreto útil produz valores de uso.” (Cl, p. 53)

4-) Relacione o valor de uso e o valor de troca ao trabalho humano concreto e ao trabalho humano abstrato.

A base de cada sociedade humana é o processo de trabalho, seres humanos cooperando entre si para fazer uso das forças da natureza e, portanto, para satisfazer suas necessidades. O produto do trabalho deve, antes de tudo, responder a algumas necessidades humanas. Deve, em outras palavras, ser útil. Marx chama-o valor de uso. Seu valor se assenta primeiro e principalmente em ser útil para alguém.

A necessidade satisfeita por um valor de uso não precisa ser uma necessidade física. Um livro é um valor de uso, porque pessoas necessitam ler. Igualmente, as necessidades que os valores de uso satisfazem podem ser para alcançar propósitos vis. O fuzil de um assassino ou o cassetete de um policial é um valor de uso tanto quanto uma lata de ervilhas ou o bisturi de um cirurgião.

Sob o capitalismo, todavia, os produtos do trabalho tomam a forma de mercadorias. Uma mercadoria, como assinala Adam Smith, não tem simplesmente um valor de uso. Mercadorias são feitas, não para serem consumidas diretamente, mas para serem vendidas no mercado. São produzidas para serem trocadas. Desse modo cada mercadoria tem um valor de troca, “a relação quantitativa, a proporção na qual valores de uso de um tipo são trocados por valores de uso de um outro tipo”. (O Capital vol. .1 ) Assim, o valor de troca de uma camisa poderá ser uma centena de lata de ervilhas.

Mais ainda, um valor de uso tem que satisfazer algumas necessidades humanas específicas. Se você tem fome, um livro não poderá satisfazê-lo. Em contraste, o valor de troca de uma mercadoria é simplesmente o montante pelo qual será trocado por outras mercadorias. Os valores de troca refletem mais o que as mercadorias têm em comum entre si, do que suas qualidades específicas. Um pão pode ser trocado por um abridor de latas, seja diretamente ou por meio de dinheiro, mesmo que suas utilidades sejam muito diferentes. O que é isso que eles têm em comum, que permite a ocorrência dessa troca?

A resposta de Marx é que todas as mercadorias tem um valor, do qual o valor de troca é simplesmente o seu reflexo. Esse valor representa o custo de produção de uma mercadoria à sociedade. Pelo fato de que a força de trabalho é a força motriz da produção, esse custo só pode ser medido pela quantidade de trabalho que foi devotada à mercadoria.

Mas por trabalho Marx não se refere ao tipo particular de trabalho envolvido em, digamos, assar um pão ou manufaturar um abridor de latas. Esse trabalho real, concreto, como disse Marx, é variado e complexo demais para nos fornecer a medida de valor que necessitamos. Para encontrar essa medida nós devemos abstrair o trabalho de sua forma concreta. Marx escreve: “Portanto, um valor de uso ou um bem possui valor, apenas, porque nele está objetivado ou materializado trabalho humano abstrato”. (C1, p 47)

Assim, o trabalho tem um “caráter dual”:

“Todo trabalho é, por um lado, dispêndio de força de trabalho do homem no sentido fisiológico, e nessa qualidade de trabalho humano igual ou trabalho humano abstrato gera o valor da mercadoria. Todo trabalho é, por outro lado, dispêndio de força de trabalho do homem sob forma especificamente adequada a um fim, e nessa qualidade de trabalho humano concreto útil produz valores de uso.” (Cl, p. 53)
http://www.espacoacademico.com.br/038/38tc_callinicos.htm

5-) O que Karl Marx chama de “fetichismo da mercadoria”? (alienação)

“O carácter místico da mercadoria não provém, pois, do seu valor-de-uso. Não provém tão pouco dos factores determinantes do valor. Com efeito, em primeiro lugar, por mais variados que sejam os trabalhos úteis ou as actividades produtivas, é uma verdade fisiológica que eles são, antes de tudo, funções do organismo humano e que toda a função semelhante, quaisquer que sejam o seu conteúdo e a sua forma, é essencialmente um dispêndio de cérebro, de nervos, de músculos, de órgãos, de sentidos, etc., do homem. Em segundo lugar, no que respeita àquilo que determina a grandeza do valor – isto é, a duração daquele dispêndio ou a quantidade de trabalho -, não se pode negar que essa quantidade de trabalho se distingue claramente da sua qualidade. Em todas as épocas sociais, o tempo necessário para produzir os meios de subsistência interessou necessariamente os homens, embora de modo desigual, de acordo com o estádio de desenvolvimento da civilização. Enfim, desde que os homens trabalham uns para os outros, independentemente da forma como o fazem, o seu trabalho adquire também uma forma social.” (Karl Marx, O Capital¹).
O fetichismo da mercadoria é decorrente do caráter social do trabalho e não possui o valor real de sua produção, e sim um valor abstrato que o produtor atribui à mercadoria, tornando-a quase que viva.  Pelas palavras de Marx: “Quando os produtores relacionam os produtos do seu trabalho a título de valores, não é que eles vejam neles um simples invólucro sob o qual se esconde um trabalho humano idêntico; pelo contrário, ao considerarem iguais na troca os seus diversos produtos, pressupõem com isso que os seus diferentes trabalhos são iguais. Eles fazem-no sem o saber. Portanto, o valor não tem, escrito na fronte, o que ele é. Longe disso, ele transforma cada produto do trabalho num hieroglifo [social]. Somente com o tempo o homem procurará decifrar o sentido do hieroglifo, penetrar nos segredos da obra social para a qual contribui, pois a transformação dos objectos úteis em valores é um produto da sociedade, tal como o é a linguagem.”(Karl Marx, O Capital¹).

6-) Qual a relação entre fetichismo da mercadoria e trabalho social?

Marx, ao examinar o capitalismo, mostrou como as relações de desigualdade estrutural entre pessoas aparecem como meras relações entre coisas.

Um fetiche é um ídolo, um amuleto, algo enfeitiçado, que tem poderes inexplicáveis, de origens misteriosas. Para Marx a mercadoria parecesse com isto, “no fato de que ela reflete aos homens as características sociais do seu próprio trabalho como características objetivas dos próprios produtos de trabalho, como propriedades naturais sociais dessas coisas e, por isso, também reflete a relação social dos produtos com o trabalho total como uma relação existente fora deles, entre objetos”.

Marx explica o processo através do qual o fetiche da mercadoria se coloca: “Os objetos de uso tornam-se mercadorias apenas por serem produtos de trabalhos privados, exercidos independentemente uns dos outros. O complexo desses trabalhos privados forma o trabalho social total. Como os produtores somente entram em contato social mediante a troca de seus produtos de trabalho, as características especificamente sociais de seus trabalhos privados só aparecem dentro dessa troca. Em outras palavras, os trabalhos privados só atuam de fato, como membros do trabalho social total, por meio das relações que a troca estabeleceu entre os produtos do trabalho e, por meio dos mesmos, entre produtores”.

O valor das mercadorias parece ser um dado objetivo, quando na verdade, segundo Marx, este valor tem por base o trabalho humano nela objetivado.

O fetichismo pode ser entendido como essência de todo o sistema econômico de Marx, como um elemento-chave que permite diferenciar seu método do método dos economistas clássicos.

7-) Descreva um exemplo atual que expresse o que Marx denominou fetichismo da mercadoria.

 “Fetichismo da mercadoria” é um fenômeno relatado por Marx, afirmando que a mercadoria, quando finalizada e pronta para o consumo, não mantém o seu valor real de venda, ou seja, o valor determinado pela quantidade de trabalho materializado no artigo. Em seu lugar, passa a ter um valor irreal e infundado, como se não fosse fruto do trabalho humano e nem pudesse ser mensurado.

Atualmente têm-se verificado vários produtos com preços muitos superiores à seu “custo de produção”, como por exemplo produtos da área de informática (Apple) com preços exorbitantes e funcionalidades limitadas, onde outras marcas/modelos são capazes de superar em funcionalidades por preços muito menores.

Muito se fala sobre os preços dos produtos da Apple que, se comparados a outros com configuração de hardware semelhante, são visivelmente altos. Esta diferença no preço “Taxa Apple”, mostra o fetichismo de mercadoria. Vende-se uma “maçã ” à preço de ouro.

 
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Publicado por em 2 de abril de 2012 em EDS

 

Marx e Engels: Manifesto Comunista


“Proletários de todos os países, uni-vos!”

1)  O que são classes sociais?

O conceito de classe é histórico e que se constituem nas relações de produção e antagônica entre o proletariado e os donos dos meios de produção, ou seja, as classes são definidas principalmente pelas diferenças econômicas. “Para ele [Marx] as classes são determinadas historicamente e produtos da sociedade em questão. Porém, as classes sociais propriamente ditas são relacionadas à sociedade moderna, que advém da Revolução Industrial. Sendo assim, para Marx, as classes são produtos da sociedade capitalista.”(Diéguez, Carla¹). Nossa sociedade hoje é dividida pela definição de classe de Marx.

“A burguesia e o proletariado são classes revolucionárias e antagônicas. Revolucionárias e antagônicas porque uma instaura o capitalismo, a outra começa a lutar pela destruição do regime no próprio instante em que ele aparece. Porque aparece alienado no produto do seu trabalho, ao produzir a mais valia, o proletariado lutará para suplantar essa situação. Porque aparece desde o princípio como a classe que se apropria da mais valia, a burguesia começa a deixar de ser revolucionária na ocasião em que se constitui. Nesse instante, passa a preocupar-se principalmente com a preservação e o aperfeiçoamento do status. Por dentro da revolução burguesa começa a formar-se a revolução proletária.”

2) Quando e como surge o proletariado?

O proletariado passou a existir com a Revolução Industrial, porém antes já havia a população pobre que vivia nos campos. O proletariado surgiu pelo fato de como nem todos tinham condições para financiar as máquinas que despontavam da Revolução Industrial e como os trabalhadores dos teares manuais não produziam tecidos tão rápido e nem tão baratos, passaram a vender sua força de trabalho para a indústria que começou a dividir o trabalho de tal forma que um operário não conhecia todo o processo de produção do produto que fabricava, enriquecendo o dono do capital. Com essa revolução, surgiram duas classes sociais:

I) Classe dos detentores de capital: burguesia

II) Classe dos que vendem sua força de trabalho aos detentores do capital: proletários.

3) O que gera o movimento histórico?

“A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes”.

Para Marx, qualquer que seja a época considerada, a sociedade é o lugar de um conflito – aberto ou dissimulado – entre opressores e oprimidos.

“Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e oficial, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada, uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação evolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta.”

4) O que são forças produtivas?

Na raiz dos conflitos está a apropriação privada dos meios de produção, que determina a exploração e a pobreza dos que não têm os meios de produzir a sua subsistência e o enriquecimento dos que exploram a força de trabalho daqueles que nada mais possuem senão isso. No devir da humanidade, são, em última análise, as infraestruturas (as relações de produção e as forças produtivas) que determinam as superestruturas (as produções intelectuais).

Segundo Marx, a base material é formada por forças produtivas (que são as ferramentas, as máquinas, as técnicas, tudo aquilo que permite a produção) e por relações de produção (relações entre os que são proprietários dos meios de produção as terras, as matérias primas, as máquinas – e aqueles que possuem apenas a força de trabalho).

Ao se desenvolverem as forças produtivas trazem conflito entre os proprietários e os não proprietários dos meios de produção. O conflito se resolve em favor das forças produtivas e surgem relações de produção novas, que já haviam começado a se delinear no interior da sociedade antiga. Com isso, a superestrutura também se modifica e abre-se possibilidade de revolução social. 

5) O que são relações de produção?

Relações de Produção são a forma como os homens se organizam para produzir a riqueza. Para participar da geração da riqueza produzida na nossa sociedade, as pessoas tem que procurar um emprego, ou seja, elas procuram alguém que queira contratar o trabalho dela e que em troca ofereça um salário. De modo que o assalariamento é a relação de produção típica da nossa sociedade. As relações de produção são também chamadas de Estrutura Econômica, pois toda a economia de uma sociedade, em dado momento da história, caracterizar-se-á pelas relações de produção que forem hegemônicas.

6) O que é alienação e qual a sua relação com o Trabalho?

Tanto em Marx quanto em Hegel, alienação está ligada ao trabalho. Para Hegel, o trabalho é a essência do homem, quer dizer, é somente por meio de seu trabalho que o homem pode realizar plenamente suas habilidades em produções materiais. Alienação, para Marx, tem um sentido negativo (em Hegel, é algo positivo) em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza.

O homem troca o verbo SER pelo TER: sua vida passa a medir-se pelo que ele possui, não pelo que ele é. 

Marx concebeu diferentes formas de alienação, como a religião ou o Estado, em que o homem, longe de tornar-se livre, cada vez mais se aprisionaria. Mas uma alienação é básica: a alienação econômica, que pode ser descrita de duas formas: o trabalho como (a) atividade fragmentada e como (b) produto apropriado por outros.

No primeiro caso (atividade fragmentada), a separação do trabalho, em todas as suas instâncias, aliena o trabalhador, que não se reconhece mais em uma atividade – porque ele faz apenas uma peça de um carro em uma escala produtiva e não tem a visão do conjunto, por exemplo – e porque acaba desenvolvendo apenas uma de suas habilidades, seja braçal ou intelectual, provocando, com isso também, uma divisão social.

No segundo caso, o trabalhador tem a riqueza gerada pelo seu trabalho tomada pelos proprietários dos meios de produção. Ele é levado a gerar acumulação de capital e lucro para uma minoria, enquanto vive na pobreza.

Divisão do trabalho e acumulação de capital, que, juntos, formam a base de uma sociedade capitalista, são também as fontes de alienação moderna, segundo Marx, por meio das quais se constitui um sistema de dominação. 

7) Por que Marx vê o papel revolucionário na burguesia?

Marx vê um papel revolucionário na burguesia, pois essa classe criou “um mundo parecido com ela mesma” e foi a primeira a provar os feitos que a atividade humana pode realizar.

Historicamente, a burguesia cumpriu um papel revolucionário, com suas ações destruiu os modos de organização produtivos feudais. Com a proteção das corporações da Idade Média foi possível a acumulação de capital, o desenvolvimento do comércio marítimo e a fundação das colônias, sendo assim a manutenção das velhas estruturas feudais constituíam-se num entrave à continuidade da contínua expansão. A burguesia então destruiu os modos de organização do trabalho, as formas da propriedade no campo e na cidade; debilitou as antigas classes dominantes como a aristocracia feudal e o clero, substituiu a legislação feudal, e eliminou os impostos e obrigações feudais, as corporações de ofício, o sistema de vassalagem que impedia que os servos se transformassem nos trabalhadores livres e mesmo o regime político monárquico nos casos em que sua existência representava um obstáculo ao pleno desenvolvimento das potencialidades da produção capitalista.

Mais do que uma mudança nos processos produtivos, toda a organização política do Estado, as forças sociais em que este se sustentava e a outras instituições, tais como o sistema jurídico e tributário, a moral, religião, cultura e ideologia foram modificadas pela ação burguesa.

Antes a burguesia era uma classe marginalizada pela sociedade. Ela não se “classificava” no sistema: não era serva, nem nobre e nem do clero. Segundo Marx, o modo de produção capitalista instaurado pela burguesia, estende-se a todas as nações. A premência de encontrar novos mercados, matérias-primas e de gerar novas necessidades leva-a a estabelecer-se em todas as partes.

Nesse contexto, a burguesia exerce papel revolucionário e inovador na sociedade, sendo a maior provedora de mudanças em nossa sociedade, pois vive em um processo de contínua mudança.

8) Por que o modo de produção capitalista é transitório?

De acordo com Marx, o modo de produção capitalista é transitório, estando sujeito a crises econômicas cíclicas. O capitalismo estaria condenado a extinguir-se com a eclosão de um processo de revolução social.

O capitalismo se divide em duas classes antagônicas (proletariado e burguesia). É o meio de produção onde as forças produtivas se desenvolvem ao máximo, havendo alta exploração do trabalhador.

É ao proletariado que Marx atribui o papel de agente transformador da sociedade capitalista. Por meio de um processo revolucionário, as condições de apropriação e concentração dos meios de produção existentes em mãos de uma classe desaparecem e, a partir de então, inicia-se um processo de fundação da sociedade sobre novas bases.

No caso de uma revolução proletária, na medida em que desaparecessem as garantias da propriedade privada dos meios de produção, o mesmo aconteceria com a burguesia como classe e com o modo capitalista de produção. Formaria-se, então, uma nova forma de organização social que, numa fase transitória, seria uma “ditadura do proletariado” mas, ao realizar todas as condições a que se propôs, tornaria-se uma sociedade comunista. 

FONTES:

Marx, Karl; Engels, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista

http://www.moreira.pro.br/textose11.htm

http://contextopolitico.blogspot.com.br/2008/12/ideologia-e-as-classes-sociais-em-marx.html

http://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/21/teoria.htm

http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ

http://www.sinprorp.org.br/clipping/2008/081.htm

http://educacao.uol.com.br/filosofia/marx—alienacao-do-espirito-absoluto-de-hegel-a-realidade-concreta.jhtm

http://prosouza.blogspot.com.br/2010/07/karl-marx-individuo-x-sociedade.html

 
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Publicado por em 25 de março de 2012 em EDS

 

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Karl Marx – Teses sobre Feuerbach e Capítulo 1 de A Ideologia Alemã


“Os mundos uivam o próprio canto fúnebre

e nós somos macacos de um Deus frio”

(Karl Marx)

1) Quem foi Karl Marx?

    Karl Heinrich Marx foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna. Atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.

Estudou primeiramente na Universidade de Bonn, para estudar Direito, transferindo-se anos mais tarde – por influência de seu pai – para Berlim – acabando por se  doutorar em filosofia – , onde teve o primeiro contato com as teorias de Hegel, ingressando no movimento dos Jovens Hegelianos.

Conheceu em Paris, Friedrich Engels, um grande amigo e com quem escreveu Manifesto Comunista e quem finalizou O Capital, após a morte de Marx. Por muitos anos, foi o mantenedor do filósofo, sustentando-o até sua morte em Londres, 1883.

2) Quem mais influenciou o pensamento de Marx?

Os pensadores que influenciaram Karl Marx em suas concepções e em sua obra foram principalmente: Georg Hegel - professor e reitor da Universidade de Berlim – e Ludwig Feuerbach – seus conceitos materialistas. Além deles, Adam Smith e David Ricardo foram de grande influência para Marx.

3) Qual a relação entre Marx e a sociologia?

   Karl Marx parte da necessidade de transformação no mundo. Busca explicitar os totais da sociedade capitalista de forma a denunciar as estruturas e abrir brechas para sua transformação. Para Marx são as condições de vida que determinam o pensamento e a condição dos indivíduos, sempre tratados como categorias representantes do coletivo.  O sistema capitalista tem em sua estrutura principal duas classes que se determinam por relações de propriedade. Os possuidores de capital são os integrantes da classe dos capitalistas. Os demais são componentes da classe operária.
   Toda nova organização social surge da sociedade anterior. Sociedades não se formam do espaço, mas da reorganização de sociedades anteriores, através de violentas rupturas.  Assim sendo, a sociedade capitalista atual originou-se da sociedade feudal, que por sua vez teve origens em outra sociedade, que sucessivamente nos levam à origens de nossas sociedades comunais.

4) O que é idealismo para Marx?

   O idealismo vê os homens como determinados pelas ideias. Os homens mudam porque a educação de novas ideias e novos desejos fazem-nos mudar.
   No lugar do espírito guiando os homens, são os homens em sua práxis real que fazem, sem saber, a história. Assim Marx cria o materialismo histórico e dialético com o qual pretende se contrapor aquele idealismo de Hegel que é o ponto culminante da filosofia.
   De acordo com o marxismo, tudo o que não for marxismo é idealismo.

5) Como Marx define o materialismo?

Marx afirma que há o materialismo histórico e o dialético e para, ele, o materialismo é a atividade sensível humano, práxis, utilizando-se do conceito de materialismo de Feuerbach (cujo objetivo era trazer o céu para a Terra, ao afirmar que o homem que criou Deus à sua imagem e semelhança.), e o expandiu com a subjetividade, “separando-o” em materialismo histórico e materialismo dialético.

Marx escreveu: “Podemos distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião — por tudo o que se quiser. Mas eles começam a distinguir-se dos animais assim que começam a produzir os seus meios de vida, passo este que é condicionado pela sua organização física. Ao produzirem os seus meios de vida, os homens produzem indirectamente a sua própria vida material.” E continuou: “Revela-se, assim, logo de princípio, uma conexão materialista dos homens entre si, a qual é condicionada pelas necessidades e pelo modo da produção e tão velha como os próprios homens — uma conexão que assume sempre formas novas e que, por conseguinte, apresenta uma “história”, mesmo que não exista um qualquer absurdo político ou religioso que una ainda mais os homens.”(Marx, Karl A Ideologia Alemã).
6) O que Marx quer dizer ao afirmar que Feuerbach “não toma a própria atividade humana como atividade objetiva”?

Marx afirma isso, pois ele crê que o materialismo conhecido e difundido (inclusive o de Feuerbach) é insuficiente, pois não é visualizado como uma atividade sensível humana ou subjetivamente e, portanto, o lado ativo foi desenvolvido pelo idealismo (abstratamente, pois o idealismo não conhece a atividade sensível). Marx afirma que Feuerbach quer objetos sensíveis distintos dos objetos do pensamento, ou seja, ele não considera as subjetividades da Essência do Cristianismo, considerando somente suas atitudes teóricas como genuinamente humanas.

Como escreveu Marx no capítulo 2 de A Ideologia Alemã: “Ele[Feuebach] não vê que o mundo sensível que o rodeia não é uma coisa dada directamente da eternidade, sempre igual a si mesma, mas antes o produto da indústria e do estado em que se encontra a sociedade, e precisamente no sentido de que ele é um produto histórico, o resultado da actividade de toda uma série de gerações, cada uma das quais aos ombros da anterior e desenvolvendo a sua indústria e o seu intercâmbio e modificando a sua ordem social de acordo com necessidades já diferentes.”.

7) Compare a frase de Marx “a essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo” com as ideias de Durkheim sobre a relação indivíduo e sociedade.

“A essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo”, cujo complemento é “Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais.”, o que é comparável com o pensamento de Durkheim em diversos pontos, pois Marx (se formos analisar pelas teorias de Durkheim) afirma que a consciência humana é predominantemente consciência coletiva, não havendo assim uma predominância da consciência individual, o que entraria em contraste com as ideias de Durkheim, pois ele considera que a consciência individual aumenta conforme há a Divisão do Trabalho e o que Marx afirma é o oposto, considerando assim sua sociedade já capitalista uma sociedade de solidariedade mecânica e, sendo assim, o indivíduo será um objeto para e da sociedade.

FONTES:

As Dialéticas de Hegel e Marx

Biografia Karl Marx

Materialismo Histórico e Materialismo Dialético

Marx, Karl Teses sobre Feuerbach

Marx, Karl A Ideologia Alemã – Capítulo 1

Práxis por Marx e Gramsci

Sociologia – Marx, Weber e Durkheim

 
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Publicado por em 18 de março de 2012 em EDS

 

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Émile Durkheim – Solidariedade Mecânica e Solidariedade Orgânica


1) Qual a relação entre independência dos indivíduos e a divisão do trabalho social?

A divisão do trabalho ultrapassa o âmbito dos interesses econômicos, porque ela consiste no estabelecimento de uma ordem social e moral. Os indivíduos são ligados uns aos outros, de tal forma que, sem isso, seriam independentes; em vez de se desenvolverem separadamente, eles ajustam seus esforços; eles são solidários, por meio de uma solidariedade que não age somente nos curtos períodos em que se trocam serviços, mas que se estende muito além.

2) O que é solidariedade e qual o seu papel social?

Solidariedade liga o indivíduo com a sociedade; não consiste somente numa ligação geral e indeterminada do indivíduo ao grupo, mas torna também harmônicos os pormenores dessa conexão. Como os objetos coletivos são sempre os mesmos, sempre têm os mesmos efeitos. Sua função é manter intacta a coesão social, ao manter a consciência coletiva em toda a sua vitalidade. Se negada, perderia sua força se uma reação emocional da comunidade não vier compensar essa parte, ocorre o relaxamento da solidariedade social.

3) O que é solidariedade mecânica?

A solidariedade mecânica considera mais importante a consciência coletiva superior à consciência individual, suprimindo – por assim dizer – a personalidade do indivíduo. Ou seja, o indivíduo é uma coisa da sociedade e a consciência individual é uma simples dependência do tipo coletivo e todos os indivíduos são parecidos. Necessidade de um conjunto de crenças e sentimentos comuns a todos os membros mais ou menos organizado.

4) Onde encontramos a solidariedade mecânica?

Sociedades em que não há divisão do trabalho, ou seja, sociedades consideradas primitivas ou pré-capitalistas, como clãs e tribos.

5) Explique se a solidariedade diminui ou cresce conforme aumenta o excedente produtivo de
uma dada sociedade.

Quando há o excedente produtivo, a sociedade começa a dividir o trabalho, levando de uma solidariedade mecânica a uma solidariedade orgânica, o que é uma redução do poder coercitivo a consciência coletiva, o que leva ao próprio interesse das sociedades capitalistas. O que leva, a uma aproximação com a solidariedade proposta por Durkheim.

6) O que é solidariedade orgânica?

Sociedade que possui divisão de trabalho, mais desenvolvida se comparada à solidariedade mecânica; indivíduos diferentes, possibilidade de cada um possuir sua própria personalidade e esfera de ação, com a consciência coletiva deixando espaço para a consciência individual. A  coesão resultante dessa solidariedade é mais forte. É dependente da sociedade, porque é dependente das partes que a compõem.

Em resumo, as diferenças entre as solidariedades orgânica e mecânica:

Fonte: Café com Sociologia

7) Explique a divisão do trabalho social.

A Divisão do trabalho social para Durkheim era uma forma de livrar a sociedade da anomia e aproximá-la de uma sociedade cujas funções sociais fossem o mais próximo possível das funções dos órgãos num organismo vivo, existindo assim uma solidariedade orgânica, sem que haja somente a repetição das consciências coletivas e sim um desenvolvimento maior do indivíduo em prol da sociedade. Pelas palavras de Durkheim: “É a esse estado de anomia que devem ser atribuídos, como mostraremos, os conflitos incessantemente renascentes e as desordens de todo tipo de que o mundo econômico nos dá o triste espetáculo. Porque, como nada contém as forças em presença e não lhes atribui limites que sejam obrigados a respeitar elas tendem a se desenvolver sem termos e acabem se entrechocando, para se reprimirem e se reduzirem mutuamente.(…) As paixões humanas só se detêm diante de uma força moral que elas respeitam. Se qualquer autoridade desse gênero inexiste, é a lei do mais forte que reina e. latente ou agudo, o estado de guerra é necessariamente crônico.” (DURKHEIM, VII: 2004)

8) Por que ocorre a preponderância progressiva da solidariedade orgânica?

O progressivo crescimento da solidariedade orgânica está ligado a diversidade de valores sociais, a consciência coletiva perde espaço quando os indivíduos expressam interesses diferentes. À medida que a consciência coletiva se afrouxa, os indivíduos passam a não compartilharem dos mesmos valores e crenças sociais,dando espaço à consciência individual que expressa o que temos de pessoal e distinto. Esse crescimento é evidenciado nas sociedades modernas, em especial nas sociedades complexas capitalistas.
9) O que é anomia social?
O significado de anomia está presente a ideia da falta ou abandono das normas sociais de comportamento. Assim sendo, pode-se afirmar que a anomia indica desvio de comportamento, que pode ocorrer por ausência de lei, conflito de normas, ou ainda desorganização pessoal.
10) Para Durkheim, quando ocorre uma situação de anomia social?
a) A sociedade moderna, para poder atingir os seus fins, inclusive de produção e sobrevivência, precisa organizar-se;
b) Organização impõe divisão de trabalho ou tarefas;
c) A divisão de tarefas produz especialização;
d) A especialização ocasiona isolamento dentro do grupo, motivando, por sua vez, um enfraquecimento do espírito de solidariedade do grupo global;
e) O enfraquecimento desse espírito de solidariedade acarreta uma influência dissolvente e, por via de consequência, o comportamento de desvio.
FONTES:
 
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Publicado por em 11 de março de 2012 em EDS

 

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