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Max Weber

09 abr

1-) Qual a importância de Max Weber para as Ciências Sociais?

Max Weber, abreviação de Maximilian Carl Emil Weber (1864-1920), é considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia. Weber associou o surgimento do capitalismo com o surgimento e desenvolvimento do Protestantismo, em sua obra mais famosa: “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, ele passa a refletir quais elementos da espiritualidade protestante influenciaram no capitalismo. O intelectual alemão, jurista e economista, argumenta que a religião era uma das razões não-exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas.

Weber concentra seu trabalho no processo de racionalização e desencantamento (que tem origem na sociedade moderna e capitalista). Elaborou dois conceitos fundamentais para o estudo sociológico de tipo ideal e ação social. Em um de seus trabalhos, A política como vocação, Weber define o Estado como “uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da força física”, uma definição que se tornou fundamental no estudo da ciência política moderna no Ocidente.

É importante destacar o fato de Max Weber ter tido uma sólida formação acadêmica, estudou na Universidade Humboldt, em Berlim e trabalhou nas universidades de Freiburg, Heidelberg, Viena e Munique. Altamente influente na política alemã, foi consultor dos negociadores alemães no Tratado de Versalhes (1919) e da Comissão encarregada de redigir a Constituição de Weimar.

2-) Como Weber tratava os julgamentos de valor e o saber empírico?

Para Weber, os valores e ideais que inspiram um cientista social são intrínsecos à busca do conhecimento; daí sua crítica ao positivismo. Porém, ele propunha uma clara distinção entre os “julgamentos de valor” e o “saber empírico”;

A ciência social compreende ambos os aspectos, já que os julgamentos de valor estão no significado dado aos objetos e problemas, enquanto o saber empírico está relacionado com a busca de respostas às questões formuladas, por meio dos instrumentos racionais da ciência; Todavia, o cientista social não deve estabelecer receitas para a praxis, nem dizer o que deve ser feito, mas sim o que pode ser feito. Isso porque a ação prática vincula-se a deveres e convicções que estão ancorados no mundo da política prática.

E, para Weber, a ciência social deve distinguir-se dessa esfera tanto quanto possível; Nesse sentido, ele dizia que: “A tarefa do professor é servir aos seus alunos com o seu conhecimento e experiência e, não, impor-lhe suas opiniões políticas pessoais”. Em outras palavras, a ciência (e o professor que é representante dela) tem um compromisso com a “verdade” que não deve ser restringido pelas crenças e convicções políticas de qualquer de seus praticantes.

3-) Para Weber, o que é objetividade?

A respeito da epistemologia, Weber deixou claro que ele entendia que o porto seguro do conhecimento não era o ponto de partida, como afirmava o positivismo francês. O ponto de partida não deveria ser visto como o do agente cognitivo com esquemas capazes de se deparar com os “dados da realidade” de forma bruta.
O ponto de partida teria de ser entendido como o do agente cognitivo colocando seus esquemas de apreensão sobre a realidade, e construindo então os “dados” a partir de esquemas já alterados pela própria forma interação com a realidade social.
Assim, a objetividade deveria ser grafada deste modo: “objetividade”, com aspas. Com isso, Weber queria mostrar que a concordância teórica ao final de uma investigação não era nada natural, e sim um esforço compreensivo grande, uma vez que agentes diferentes partiam de pontos de vista diferentes.
4-) Weber acredita na objetividade do conhecimento?

Sim, pois ele queria alcançar um conhecimento objetivo das ciências sociais, mesmo que ele se encontre dentro da esfera de valores; e, por mais que ele acredite que cada obra possui tendências (valores) que levam os autores às suas conclusões científicas – o que é subjetivo -, o próprio Weber afirmava ser impossível de existir conhecimento sem valores vinculados à realidade de alguma forma.
A neutralidade valorativa da ciência não está em oposição ao ato de valorar a vida, mas, mais do que isto, é a paixão de valorar e do querer que engendra, como seu próprio esclarecimento e auto-educação, a legítima objetividade da pesquisa”. (VIEIRA, Adriane; CARRIERI, Alexandre de Paula. Max Weber e a questão do método nas ciências sociais. Economia & Gestão, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, jul./dez. 2001. p. 13.).
Melhor dizendo, como explicou Carlos Lucena (http://www.carloslucena.pro.br/?page_id=168): “O cientista, para determinar seu objeto de estudo, está obrigado a fazer uma opção sobre a realidade, que exige um procedimento tipo relação de valores. A ciência humana é animada por questões que os cientistas dirigem à realidade. O interesse das respostas depende do interesse das questões. Weber afirma que é preciso ter interesse daquilo que os homens viveram para compreendê-los autenticamente; mas é preciso distanciar-se do próprio interesse para encontrar uma resposta universalmente válida a uma questão inspirada pelas paixões do homem histórico. Nenhuma ciência deverá dizer aos homens como devem viver, ou ensinar as sociedades como se devem organizar. Nenhuma ciência poderá indicar a sociedade qual é o seu futuro. A primeira negação o opõe a Durkhein e a segunda a Marx.” 

 

5-) O que são tipos ideais?

Um tipo ideal é uma construção analítica que serve ao investigador como ferramenta de mensuração para encontrar similaridades, bem como desvios, em casos concretos. Ele fornece o método básico para um estudo comparativo.
Não espera-se que um tipo ideal se baseie em valores morais. E Weber não os cria baseando-se em médias estatísticas. O tipo ideal envolve ações típicas de conduta relacionada a determinado assunto, e ele nunca corresponde à realidade concreta: está sempre um passo adiante. O tipo ideal é composto por certos elementos da realidade e forma um todo preciso e coerente, que não pode ser encontrado como tal na realidade.
Os tipos ideais permitem aos pesquisadores construírem hipóteses, ligando-as com as condições que colocaram o fenômeno ou o evento em evidência, ou com as consequencias que seguem o seu surgimento. 
Os três tipos ideais de Weber distinguem-se pelos níveis de abstração. Primeiro estão os tipos ideais baseados em particularidades históricas, como as “cidades ocidentais”, “a ética protestante” ou o “capitalismo moderno”. Refere-se a fenômenos que aparecem apenas em períodos históricos específicos e em áreas culturais particulares. O segundo tipo envolve elementos abstratos da realidade social, como “burocracia” ou “feudalismo” — encontrados em contextos históricos e culturais. Por último, o qual Raymond Aron chama de “reconstruções racionais de um tipo particular de comportamento”. Todas as proposições na teoria econômica são, para Weber, deste tipo.
 
FONTES:

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Publicado por em 9 de abril de 2012 em EDS

 

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