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Weber: Os Três Tipos Puros de Dominação Legítima

16 abr

1-) O que é poder e dominação para Weber?

Poder “significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social,  mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade” (Weber. Economia e sociedade). Logo, o poder não é específico, já que essa imposição de vontade pode acontecer de diversas formas.  Weber escreveu também: “Os meios utilizados para alcançar o poder podem ser muito diversos, desde o emprego da simples violência até a propaganda e o sufrágio por procedimentos rudes ou delicados: dinheiro, influência social, poder da palavra, sugestão e engano grosseiro, tática mais ou menos hábil de obstrução dentro das assembléias parlamentares.”
Dominação significa “a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato, pode fundar-se em diversos motivos de submissão. Pode depender diretamente de uma constelação de interesses, ou seja, de considerações utilitárias de vantagens e inconvenientes por parte daquele que obedece. Pode também depender de mero “costume”, do hábito cego de um comportamento inveterado. Ou pode fundar-se, finalmente, no puro afeto, na mera inclinação pessoal do súdito.” (Max Weber, Três Tipos Puros de Dominação Legítima).

2-) Qual a diferença de dominação legítima para ilegítima?

“A luta pelo estabelecimento de uma forma de dominação legítima – isto é, de definições de conteúdos considerados válidos pelos participantes das relações sociais – marca a evolução de cada uma das esferas da vida coletiva em particular e define o conteúdo das relações sociais no seu interior.” (Um Toque de Clássicos). Max Weber explicou os três tipos puros de dominação como:
1. Dominação Legal: cujo tipo mais puro (segundo o próprio Weber) é a dominação burocrática.
 2. Dominação Tradicional: “Dominação tradicional em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Seu tipo mais puro é o da dominação patriarcal.” (Max Weber).
3. Dominação Carismática:  “Dominação carismática em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de oratória. O sempre novo, o extracotidiano, o inaudito e o arrebatamento emotivo que provocam constituem aqui a força de devoção pessoal. Seus tipos mais puros são a dominação do profeta, do herói guerreiro e do grande demagogo.” (Max Weber)

Dominação Ilegítima: “O poppolo italiano não era só um conceito econômico, mas também político: um particular ajuntamento político dentro de um outro ajuntamento, com funcionários próprios, finanças próprias e um regime militar próprio(…) como um Estado dentro de um outro Estado, (…) a primeira associação política ilegítima e revolucionária de modo consciente” (Weber,1992: 999).

“Conceito de “dominação ilegítima”, que por outro lado intitula este estudo de Weber. Com uma “inovação revolucionária”, os habitantes das cidades (burguesia urbana) da idade média, ao defender seus interesses econômicos, procuravam facilitar o ingresso de novos membros à cidade e a libertação dos servos que, tendo residido nela durante algum tempo, tinham alcançado certo grau de bem estar econômico. Esse povo urbano tinha alcançado certo grau de organização econômica e também política e social, por isso podia emancipar-se da tutela dos senhores feudais. Segundo Weber, a religião cristã também teve um papel de importância nesse processo emancipador na medida em que não colocava nenhum tipo de limitação de tipo mágico como acontecia na constituição clânica das cidades do oriente.”¹

3-) Podemos encontrar em um dado fenômeno apenas um tipo de dominação?

Não. Os fenômenos são envolvidos por mais de um tipo de dominação, estando presente a dominação em diversos “graus” e/ ou intensidades.

4) Como Weber define Estado?

Se a política esta em toda a história humana, logo passa de uma atividade do ser humano, porém não se pode confundir com o Estado, que corresponde a “[...] racionalização da civilização humana” (FREUND, 1987, p. 159). Logo, a política é anterior ao Estado. Na visão de Weber, o Estado se define como “[...] a estrutura ou o agrupamento político que reivindica com êxito o monopólio do constrangimento físico legítimo”.

Dessa forma, de um lado atuaria a racionalização do direito, consequentemente a especialização do poder legislativo e judiciário, voltado para uma política que tem o objetivo de manter a segurança dos indivíduos, logo procura assegurar a ordem pública, do outro lado se vincula a uma administração racional, que estaria baseado em “regulamentos explícitos”, que pode intervir nos mais diversos domínios, exemplo cultura, saúde economia, dispondo de uma força militar permanente.

5) O que é ação social?

“A ação social é aquela que é orientada ao outro. No entanto, há algumas atitudes coletivas que não podem ser consideradas sociais. A ação social, para Max Weber, pode ser dividida em quatro ações fundamentais: ação social racional com relação a fins, ação social racional com relação a valores, ação social afetiva e ação social tradicional.
1. Ação social racional com relação a fins, na qual a ação é estritamente racional. Toma-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim;

2. Ação social racional com relação a valores, na qual não é o fim que orienta a ação, mas o valor, seja este ético, religioso, político ou estético;

3. Ação social afetiva, em que a conduta é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc., e

4. Ação social tradicional, que tem como fonte motivadora os costumes ou hábitos arraigados.” (Brasil Escola)

FONTES:

Um toque de Clássicos

Três Tipos Puros de Dominação Legítima, Max Weber

Max Weber

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Publicado por em 16 de abril de 2012 em EDS

 

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