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Arquivo do autor:Karen A. Oliveira

Projeto de EDS


ANÁLISE DA PARTE H DA PESQUISA TIC 2010 LEVANDO EM
CONSIDERAÇÃO SOMENTE A VARIÁVEL “ÁREAS: URBANA E
RURAL” COM BASE NO AUTOR ÉMILE DURKHEIM

 

RESUMO

 A pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação no Brasil (TIC 2010) mostram alguns dados relativos ao comércio eletrônico, se separados por áreas (urbana e rural) mostram uma leve tendência ao consumo online pelos domicílios da área urbana, fato que pode ser interpretado de acordo com as ideias do filósofo Émile Durkheim. A análise dos dados do módulo H – Comércio Eletrônico da pesquisa TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) 2010 por uma perspectiva durkheimiana, envolvem os conceitos mais básicos de fato social, consciência coletiva, solidariedade orgânica e solidariedade mecânica. Os dados disponíveis na pesquisa atrelados à estes conceitos fundamentais, mostram-se de elevada importância para o entendimento do comportamento da sociedade no que se refere ao comércio eletrônico.

Palavras-chave: TIC 2010, Área Urbana, Área Rural, Émile Durkheim, Comércio Eletrônico.

1 INTRODUÇÃO

O consumo pela Internet foi mais incentivado ao longo dos últimos anos, quer por seus preços baixos em comparativo com o comércio dito tradicional, quer pelos incentivos da mídia impressa e televisa – afinal, a divulgação de sites de compras em comerciais televisivos estão muito mais frequentes se comparados com alguns anos atrás.

O mercado de vendas eletrônicas é um mercado em franca expansão e o Brasil tem a perspectiva de se tornar o segundo maior mercado para este tipo de negócio no mundo.

Verifica-se que no Brasil, a maioria das pessoas no momento da decisão de compra, confia muito mais na opinião dos outros do que na própria publicidade convencional. Por isso que opiniões postadas na internet e o antigo “boca a boca” ainda são as propagandas mais confiáveis. Com a internet, o hábito de decidir comprar ou não tal produto ou serviço, baseado na recomendação de pessoas conhecidas ou de uma comunidade, ganhou força total e é prática comum na atualidade.

Conceitos Durkheimianos como fato social, solidariedades orgânica e mecânica e consciência coletiva são relevantes para análise da pesquisa, pela perspectiva escolhida: afinal, o consumo é invariavelmente estimulado por pensamentos coletivos de uma determinada sociedade e o consumo online também é influenciado da mesma maneira, mesmo de que em diferentes proporções entre áreas urbanas e rurais, o que se explica principalmente pela facilidade de acesso à internet que as áreas urbanas têm se comparadas com as áreas rurais.

2 DESENVOLVIMENTO

Nota-se pela Figura 1 que a proporção dos indivíduos pesquisados é cerca de cinco vezes maior na área urbana que na área rural o que se explica, principalmente, pela facilidade de acesso à internet na área urbana para os domicílios. Desprende-se que, a solidariedade da área rural é predominantemente mecânica, pelo fato que a sociedade rural se enquadra no primeiro tipo de solidariedade descrito por Durkheim, uma solidariedade que liga diretamente os indivíduos à sociedade sem nenhum intermediário, cujas crenças e sentimentos são comuns a todos os membros do grupo, com uma consciência coletiva sobrepondo-se à consciência individual.

Já a solidariedade encontrada nas áreas urbanas seria predominantemente a solidariedade orgânica, por ser uma sociedade que valoriza muito mais a consciência individual, onde a solidariedade é dependente das partes que a compõe.

Figura 1: Gráfico intitulado “Perfil da amostra, por Área – Total Brasil 2010 (%)” disponível na página 129 da pesquisa TIC 2010.

Analisando agora a parte do comércio eletrônico, percebe-se que a pesquisa online dos preços é mais frequente na área urbana – sendo, inclusive, majoritária nessa área – quando comparada à área rural; o que se explica pela facilidade de acesso à Internet que a área urbana possui e que a Figura 1 exemplifica.

Figura 2: Trecho de Tabela disponível na página 471 da pesquisa TIC 2010.

O fato social que ocorre na área urbana, onde os indivíduos são estimulados à pesquisar preços na Internet, têm como “consciência coletiva” o pensamento que diz que os preços de comércios e serviços online podem ser mais baratos que os preços do comércio dito tradicional.

A falta de pesquisa de preços online na área rural mostra uma consciência coletiva que predispõe que pesquisar preços online não é relevante para os indivíduos domiciliados no campo, essa consciência coletiva provavelmente sugere que os indivíduos do campo (rurais) preferem pesquisar preços pelo comércio tradicional, pelos mais diversos motivos.

Figura 3: Trecho de Tabela disponível na página 472 da pesquisa TIC 2010

Se para as áreas urbanas a pesquisa de preços é majoritária, o consumo via Internet ainda não se estabeleceu como inerente da sociedade urbana brasileira, como já o é em outros países. No campo, o percentual cai para menos de 10% dos indivíduos, o

que reflete que, se nas regiões metropolitanas há um certo receio em se comprar online, o receio do campo é ainda maior, indicado pela Figura 3.

A figura 3 demonstra que a sociedade brasileira num caráter geral ainda não possui o fato social que estimula o consumo por Internet, mesmo que os brasileiros já se utilizem da Internet para pesquisar preços, ainda não julgam que o custo/benefício seja favorável ao consumo virtual; contudo, estima-se que a população brasileira vai se adaptar ao comércio virtual, pelas vantagens que a Internet oferece para os consumidores, principalmente no quesito preço.

Apesar da figura 3 demonstrar como a consciência coletiva da sociedade brasileira, tanto rural quanto urbana, ainda não é adepta de comprar online, dentre os que consomem, porém, há a preponderância no consumo online de eletrônicos e eletrodomésticos, evidenciado na figura 4.

A compra online destes bens (eletrônicos e eletrodomésticos) de preços razoavelmente elevados se comparados com outros produtos (flores, por exemplo) indicam uma preferência de compras online para os produtos mais caros, de bens duráveis; muito provavelmente pelas promoções que os sites de venda online oferecem.

Apesar das compras online serem tidas pela sociedade como “perigosas” (pela figura 7, pode-se ver desses alguns motivos), tradicionalmente, o maior fato social de qualquer sociedade capitalista é a busca pelo menor preço e, como há uma grande influência da mídia no incentivo das compras, o fato social muito provavelmente está se modificando aos poucos.

Figura 4: Trecho de Tabelas disponíveis nas páginas 474, 475 e 476 da pesquisa TIC 2010

Quanto a forma de pagamento, nota-se uma preferência pelo pagamento com cartão de crédito e pelo boleto bancário para as compras feitas pela internet, na Figura 5, temos praticamente o mesmo percentual para compradores da área urbana e da área rural. Provavelmente, isso se deve ao fato de que é muito mais fácil

A explicação é simples: enquanto o cartão de crédito pode ser pago em um parcelamento razoável sobre tudo gasto, o boleto evita fraudes e roubo de número e senha do cartão, além dos descontos oferecidos por essa forma de pagamento, por ser o que no comércio tradicional é chamado de “pagamento à vista”.

Figura 5: Trecho de Tabelas disponíveis nas páginas 477 e 478 da pesquisa TIC 2010

Ao pensarmos na proporção de indivíduos com problemas em compras online, temos novamente um empate, na figura 6, é possível identificar que apenas 11% tiveram problemas em adquirir produtos e serviços via web. Podemos analisar uma série de fatores, expressos na figura 7, que relacionam os problemas enfrentados com motivos para não se comprar pela internet. Mas é provável que em poucos anos este cenário mude, já que a tendência mundial é unir a praticidade das compras virtuais junto com a oferta de preços competitivos.

Figura 6: Trecho de Tabela disponível na página 479 da pesquisa TIC 2010

Ainda assim, pelos motivos para não se comprar pela internet, temos como principais motivos o gosto por comprar pessoalmente/ver o produto, a não necessidade/interesse nesse tipo de compra e a preocupação com privacidade. É notório que essas são as principais dificuldades que os comerciantes virtuais enfrentam, visto que é uma consciência coletiva o gosto de comprar vendo o produto, para experimentar, testar, ou simplesmente pelo fato do desconto na hora, coisa que não é possível pela internet. Além disso, onde há muita informação disponível, é possível encontrar informações ruins. Isso também vale para sites. Apesar de haverem um número significativo de sites confiáveis, também existem inúmeros sites com preços convidativos, que na verdade não possuem veracidade em suas informações. Pessoas que não têm sensibilidade a esse tipo de problema estão expostas a essas fraudes, o que pode gerar um alto índice de pessoas com grandes motivos para não fazer compras online.

Figura 7: Trechos de Tabelas disponíveis nas páginas 480, 48, 482 e 483 da pesquisa TIC 2010

Por fim, analisando-se a pesquisa da quantidade de pessoas que já divulgou/vendeu coisas na internet, podemos perceber que a esmagadora maioria nunca o fez. Com certeza é um senso comum de que as pessoas compram pela internet, e não vendem. Isso se dá ao fato de que as pessoas tendem a comprar de sites grandes e conhecidos, onde há preços baixos e competitivos, e não em tentar vender produtos e/ou serviços singulares em qualquer site e com o risco de não conseguir vender.

Figura 8: Trecho de Tabela disponível na página 484 da pesquisa TIC 2010

3 CONCLUSÃO

Pela visão Durkheimiana, consciência coletiva é o conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado com vida própria; e fato social é qualquer forma de indução sobre os indivíduos, tida como uma coisa exterior a eles, tendo uma existência independente e estabelecida em toda a sociedade, que é considerada então como caracterizada pelo conjunto de fatos sociais estabelecidos, ou seja, como uma norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo.

Toda a teoria sociológica de Durkheim pretende demonstrar que os fatos sociais têm existência própria e independem daquilo que pensa e faz cada indivíduo em particular. Embora todos possuam sua “consciência individual”, seu modo próprio de se comportar e interpretar a vida, pode-se notar, no interior de qualquer grupo ou sociedade, formas padronizadas de conduta e pensamento. Essa constatação está na base do que Durkheim chamou de consciência coletiva.

Segundo Durkheim “para que exista o fato social é preciso que pelo menos vários indivíduos tenham misturado sua ações e que dessa combinação tenha surgido um produto novo”. Esse produto novo, constituído por formas coletivas de agir e pensar se manifesta como uma realidade externa às pessoas. Ele é dotado de vida própria,não depende de um indivíduo ou outro.

“Mas, dirão, um fenômeno só pode ser coletivo se for comum a todos os membros da sociedade ou, pelo menos, à maior parte deles, portanto, se for geral. Certamente, mas, se ele é geral, é porque é coletivo (isto é, mais ou menos obrigatório), o que é bem diferente de ser coletivo por ser geral. Esse fenômeno é um estado do grupo, que se repete nos indivíduos porque se impõe a eles. Ele está em cada parte porque está no todo, o que é diferente de estar no todo por estar nas partes”. (As regras do método sociológico, p.09).

Assim, se analisarmos a compra virtual como um todo, ainda não temos um fato social. Todas as pesquisas indiciam sim um fato social que está próximo de acontecer. Porém, ainda não podemos considerar este fato como uma consciência coletiva, pois a tecnologia ainda não atingiu a todos, mas com a inclusão digital que vem ocorrendo há alguns anos, é notório que esse hábito crescerá na população.

4 REFERÊNCIAS

DURKHEIM, Émile. Émile Durkheim: sociologia. São Paulo: Editora Ática, 1984. Coleção Grandes Cientistas Sociais. (Capítulos: Divisões da Sociologia: as ciências sociais particulares; O que é fato social?; Julgamentos de valor e julgamentos de realidade; Método para determinar a função da divisão do trabalho; Solidariedade Mecânica; Solidariedade Orgânica; Preponderância Progressiva da Solidaried ade Orgânica; Divisão do Trabalho Anômica );

Quintaneiro, Tânia; Barbosa, Maria Lígia de Oliveira; Oliveira, Maria Gardênia de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002, 2ª edição.

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Em PDF: ProjetoEDS

 
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Publicado por em 27 de abril de 2012 em EDS

 

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Weber: Os Três Tipos Puros de Dominação Legítima


1-) O que é poder e dominação para Weber?

Poder “significa a probabilidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social,  mesmo contra toda a resistência e qualquer que seja o fundamento dessa probabilidade” (Weber. Economia e sociedade). Logo, o poder não é específico, já que essa imposição de vontade pode acontecer de diversas formas.  Weber escreveu também: “Os meios utilizados para alcançar o poder podem ser muito diversos, desde o emprego da simples violência até a propaganda e o sufrágio por procedimentos rudes ou delicados: dinheiro, influência social, poder da palavra, sugestão e engano grosseiro, tática mais ou menos hábil de obstrução dentro das assembléias parlamentares.”
Dominação significa “a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato, pode fundar-se em diversos motivos de submissão. Pode depender diretamente de uma constelação de interesses, ou seja, de considerações utilitárias de vantagens e inconvenientes por parte daquele que obedece. Pode também depender de mero “costume”, do hábito cego de um comportamento inveterado. Ou pode fundar-se, finalmente, no puro afeto, na mera inclinação pessoal do súdito.” (Max Weber, Três Tipos Puros de Dominação Legítima).

2-) Qual a diferença de dominação legítima para ilegítima?

“A luta pelo estabelecimento de uma forma de dominação legítima – isto é, de definições de conteúdos considerados válidos pelos participantes das relações sociais – marca a evolução de cada uma das esferas da vida coletiva em particular e define o conteúdo das relações sociais no seu interior.” (Um Toque de Clássicos). Max Weber explicou os três tipos puros de dominação como:
1. Dominação Legal: cujo tipo mais puro (segundo o próprio Weber) é a dominação burocrática.
 2. Dominação Tradicional: “Dominação tradicional em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes senhoriais de há muito existentes. Seu tipo mais puro é o da dominação patriarcal.” (Max Weber).
3. Dominação Carismática:  “Dominação carismática em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a faculdades mágicas, revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de oratória. O sempre novo, o extracotidiano, o inaudito e o arrebatamento emotivo que provocam constituem aqui a força de devoção pessoal. Seus tipos mais puros são a dominação do profeta, do herói guerreiro e do grande demagogo.” (Max Weber)

Dominação Ilegítima: “O poppolo italiano não era só um conceito econômico, mas também político: um particular ajuntamento político dentro de um outro ajuntamento, com funcionários próprios, finanças próprias e um regime militar próprio(…) como um Estado dentro de um outro Estado, (…) a primeira associação política ilegítima e revolucionária de modo consciente” (Weber,1992: 999).

“Conceito de “dominação ilegítima”, que por outro lado intitula este estudo de Weber. Com uma “inovação revolucionária”, os habitantes das cidades (burguesia urbana) da idade média, ao defender seus interesses econômicos, procuravam facilitar o ingresso de novos membros à cidade e a libertação dos servos que, tendo residido nela durante algum tempo, tinham alcançado certo grau de bem estar econômico. Esse povo urbano tinha alcançado certo grau de organização econômica e também política e social, por isso podia emancipar-se da tutela dos senhores feudais. Segundo Weber, a religião cristã também teve um papel de importância nesse processo emancipador na medida em que não colocava nenhum tipo de limitação de tipo mágico como acontecia na constituição clânica das cidades do oriente.”¹

3-) Podemos encontrar em um dado fenômeno apenas um tipo de dominação?

Não. Os fenômenos são envolvidos por mais de um tipo de dominação, estando presente a dominação em diversos “graus” e/ ou intensidades.

4) Como Weber define Estado?

Se a política esta em toda a história humana, logo passa de uma atividade do ser humano, porém não se pode confundir com o Estado, que corresponde a “[…] racionalização da civilização humana” (FREUND, 1987, p. 159). Logo, a política é anterior ao Estado. Na visão de Weber, o Estado se define como “[…] a estrutura ou o agrupamento político que reivindica com êxito o monopólio do constrangimento físico legítimo”.

Dessa forma, de um lado atuaria a racionalização do direito, consequentemente a especialização do poder legislativo e judiciário, voltado para uma política que tem o objetivo de manter a segurança dos indivíduos, logo procura assegurar a ordem pública, do outro lado se vincula a uma administração racional, que estaria baseado em “regulamentos explícitos”, que pode intervir nos mais diversos domínios, exemplo cultura, saúde economia, dispondo de uma força militar permanente.

5) O que é ação social?

“A ação social é aquela que é orientada ao outro. No entanto, há algumas atitudes coletivas que não podem ser consideradas sociais. A ação social, para Max Weber, pode ser dividida em quatro ações fundamentais: ação social racional com relação a fins, ação social racional com relação a valores, ação social afetiva e ação social tradicional.
1. Ação social racional com relação a fins, na qual a ação é estritamente racional. Toma-se um fim e este é, então, racionalmente buscado. Há a escolha dos melhores meios para se realizar um fim;

2. Ação social racional com relação a valores, na qual não é o fim que orienta a ação, mas o valor, seja este ético, religioso, político ou estético;

3. Ação social afetiva, em que a conduta é movida por sentimentos, tais como orgulho, vingança, loucura, paixão, inveja, medo, etc., e

4. Ação social tradicional, que tem como fonte motivadora os costumes ou hábitos arraigados.” (Brasil Escola)

FONTES:

Um toque de Clássicos

Três Tipos Puros de Dominação Legítima, Max Weber

Max Weber

 
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Publicado por em 16 de abril de 2012 em EDS

 

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Marx e Engels: Manifesto Comunista


“Proletários de todos os países, uni-vos!”

1)  O que são classes sociais?

O conceito de classe é histórico e que se constituem nas relações de produção e antagônica entre o proletariado e os donos dos meios de produção, ou seja, as classes são definidas principalmente pelas diferenças econômicas. “Para ele [Marx] as classes são determinadas historicamente e produtos da sociedade em questão. Porém, as classes sociais propriamente ditas são relacionadas à sociedade moderna, que advém da Revolução Industrial. Sendo assim, para Marx, as classes são produtos da sociedade capitalista.”(Diéguez, Carla¹). Nossa sociedade hoje é dividida pela definição de classe de Marx.

“A burguesia e o proletariado são classes revolucionárias e antagônicas. Revolucionárias e antagônicas porque uma instaura o capitalismo, a outra começa a lutar pela destruição do regime no próprio instante em que ele aparece. Porque aparece alienado no produto do seu trabalho, ao produzir a mais valia, o proletariado lutará para suplantar essa situação. Porque aparece desde o princípio como a classe que se apropria da mais valia, a burguesia começa a deixar de ser revolucionária na ocasião em que se constitui. Nesse instante, passa a preocupar-se principalmente com a preservação e o aperfeiçoamento do status. Por dentro da revolução burguesa começa a formar-se a revolução proletária.”

2) Quando e como surge o proletariado?

O proletariado passou a existir com a Revolução Industrial, porém antes já havia a população pobre que vivia nos campos. O proletariado surgiu pelo fato de como nem todos tinham condições para financiar as máquinas que despontavam da Revolução Industrial e como os trabalhadores dos teares manuais não produziam tecidos tão rápido e nem tão baratos, passaram a vender sua força de trabalho para a indústria que começou a dividir o trabalho de tal forma que um operário não conhecia todo o processo de produção do produto que fabricava, enriquecendo o dono do capital. Com essa revolução, surgiram duas classes sociais:

I) Classe dos detentores de capital: burguesia

II) Classe dos que vendem sua força de trabalho aos detentores do capital: proletários.

3) O que gera o movimento histórico?

“A história de toda a sociedade até aos nossos dias nada mais é do que a história da luta de classes”.

Para Marx, qualquer que seja a época considerada, a sociedade é o lugar de um conflito – aberto ou dissimulado – entre opressores e oprimidos.

“Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e oficial, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada, uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação evolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta.”

4) O que são forças produtivas?

Na raiz dos conflitos está a apropriação privada dos meios de produção, que determina a exploração e a pobreza dos que não têm os meios de produzir a sua subsistência e o enriquecimento dos que exploram a força de trabalho daqueles que nada mais possuem senão isso. No devir da humanidade, são, em última análise, as infraestruturas (as relações de produção e as forças produtivas) que determinam as superestruturas (as produções intelectuais).

Segundo Marx, a base material é formada por forças produtivas (que são as ferramentas, as máquinas, as técnicas, tudo aquilo que permite a produção) e por relações de produção (relações entre os que são proprietários dos meios de produção as terras, as matérias primas, as máquinas – e aqueles que possuem apenas a força de trabalho).

Ao se desenvolverem as forças produtivas trazem conflito entre os proprietários e os não proprietários dos meios de produção. O conflito se resolve em favor das forças produtivas e surgem relações de produção novas, que já haviam começado a se delinear no interior da sociedade antiga. Com isso, a superestrutura também se modifica e abre-se possibilidade de revolução social. 

5) O que são relações de produção?

Relações de Produção são a forma como os homens se organizam para produzir a riqueza. Para participar da geração da riqueza produzida na nossa sociedade, as pessoas tem que procurar um emprego, ou seja, elas procuram alguém que queira contratar o trabalho dela e que em troca ofereça um salário. De modo que o assalariamento é a relação de produção típica da nossa sociedade. As relações de produção são também chamadas de Estrutura Econômica, pois toda a economia de uma sociedade, em dado momento da história, caracterizar-se-á pelas relações de produção que forem hegemônicas.

6) O que é alienação e qual a sua relação com o Trabalho?

Tanto em Marx quanto em Hegel, alienação está ligada ao trabalho. Para Hegel, o trabalho é a essência do homem, quer dizer, é somente por meio de seu trabalho que o homem pode realizar plenamente suas habilidades em produções materiais. Alienação, para Marx, tem um sentido negativo (em Hegel, é algo positivo) em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza.

O homem troca o verbo SER pelo TER: sua vida passa a medir-se pelo que ele possui, não pelo que ele é. 

Marx concebeu diferentes formas de alienação, como a religião ou o Estado, em que o homem, longe de tornar-se livre, cada vez mais se aprisionaria. Mas uma alienação é básica: a alienação econômica, que pode ser descrita de duas formas: o trabalho como (a) atividade fragmentada e como (b) produto apropriado por outros.

No primeiro caso (atividade fragmentada), a separação do trabalho, em todas as suas instâncias, aliena o trabalhador, que não se reconhece mais em uma atividade – porque ele faz apenas uma peça de um carro em uma escala produtiva e não tem a visão do conjunto, por exemplo – e porque acaba desenvolvendo apenas uma de suas habilidades, seja braçal ou intelectual, provocando, com isso também, uma divisão social.

No segundo caso, o trabalhador tem a riqueza gerada pelo seu trabalho tomada pelos proprietários dos meios de produção. Ele é levado a gerar acumulação de capital e lucro para uma minoria, enquanto vive na pobreza.

Divisão do trabalho e acumulação de capital, que, juntos, formam a base de uma sociedade capitalista, são também as fontes de alienação moderna, segundo Marx, por meio das quais se constitui um sistema de dominação. 

7) Por que Marx vê o papel revolucionário na burguesia?

Marx vê um papel revolucionário na burguesia, pois essa classe criou “um mundo parecido com ela mesma” e foi a primeira a provar os feitos que a atividade humana pode realizar.

Historicamente, a burguesia cumpriu um papel revolucionário, com suas ações destruiu os modos de organização produtivos feudais. Com a proteção das corporações da Idade Média foi possível a acumulação de capital, o desenvolvimento do comércio marítimo e a fundação das colônias, sendo assim a manutenção das velhas estruturas feudais constituíam-se num entrave à continuidade da contínua expansão. A burguesia então destruiu os modos de organização do trabalho, as formas da propriedade no campo e na cidade; debilitou as antigas classes dominantes como a aristocracia feudal e o clero, substituiu a legislação feudal, e eliminou os impostos e obrigações feudais, as corporações de ofício, o sistema de vassalagem que impedia que os servos se transformassem nos trabalhadores livres e mesmo o regime político monárquico nos casos em que sua existência representava um obstáculo ao pleno desenvolvimento das potencialidades da produção capitalista.

Mais do que uma mudança nos processos produtivos, toda a organização política do Estado, as forças sociais em que este se sustentava e a outras instituições, tais como o sistema jurídico e tributário, a moral, religião, cultura e ideologia foram modificadas pela ação burguesa.

Antes a burguesia era uma classe marginalizada pela sociedade. Ela não se “classificava” no sistema: não era serva, nem nobre e nem do clero. Segundo Marx, o modo de produção capitalista instaurado pela burguesia, estende-se a todas as nações. A premência de encontrar novos mercados, matérias-primas e de gerar novas necessidades leva-a a estabelecer-se em todas as partes.

Nesse contexto, a burguesia exerce papel revolucionário e inovador na sociedade, sendo a maior provedora de mudanças em nossa sociedade, pois vive em um processo de contínua mudança.

8) Por que o modo de produção capitalista é transitório?

De acordo com Marx, o modo de produção capitalista é transitório, estando sujeito a crises econômicas cíclicas. O capitalismo estaria condenado a extinguir-se com a eclosão de um processo de revolução social.

O capitalismo se divide em duas classes antagônicas (proletariado e burguesia). É o meio de produção onde as forças produtivas se desenvolvem ao máximo, havendo alta exploração do trabalhador.

É ao proletariado que Marx atribui o papel de agente transformador da sociedade capitalista. Por meio de um processo revolucionário, as condições de apropriação e concentração dos meios de produção existentes em mãos de uma classe desaparecem e, a partir de então, inicia-se um processo de fundação da sociedade sobre novas bases.

No caso de uma revolução proletária, na medida em que desaparecessem as garantias da propriedade privada dos meios de produção, o mesmo aconteceria com a burguesia como classe e com o modo capitalista de produção. Formaria-se, então, uma nova forma de organização social que, numa fase transitória, seria uma “ditadura do proletariado” mas, ao realizar todas as condições a que se propôs, tornaria-se uma sociedade comunista. 

FONTES:

Marx, Karl; Engels, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista

http://www.moreira.pro.br/textose11.htm

http://contextopolitico.blogspot.com.br/2008/12/ideologia-e-as-classes-sociais-em-marx.html

http://www.marxists.org/portugues/tematica/rev_prob/21/teoria.htm

http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ

http://www.sinprorp.org.br/clipping/2008/081.htm

http://educacao.uol.com.br/filosofia/marx—alienacao-do-espirito-absoluto-de-hegel-a-realidade-concreta.jhtm

http://prosouza.blogspot.com.br/2010/07/karl-marx-individuo-x-sociedade.html

 
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Publicado por em 25 de março de 2012 em EDS

 

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Karl Marx – Teses sobre Feuerbach e Capítulo 1 de A Ideologia Alemã


“Os mundos uivam o próprio canto fúnebre

e nós somos macacos de um Deus frio”

(Karl Marx)

1) Quem foi Karl Marx?

    Karl Heinrich Marx foi um intelectual e revolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna. Atuou como economista, filósofo, historiador, teórico político e jornalista.

Estudou primeiramente na Universidade de Bonn, para estudar Direito, transferindo-se anos mais tarde – por influência de seu pai – para Berlim – acabando por se  doutorar em filosofia – , onde teve o primeiro contato com as teorias de Hegel, ingressando no movimento dos Jovens Hegelianos.

Conheceu em Paris, Friedrich Engels, um grande amigo e com quem escreveu Manifesto Comunista e quem finalizou O Capital, após a morte de Marx. Por muitos anos, foi o mantenedor do filósofo, sustentando-o até sua morte em Londres, 1883.

2) Quem mais influenciou o pensamento de Marx?

Os pensadores que influenciaram Karl Marx em suas concepções e em sua obra foram principalmente: Georg Hegel - professor e reitor da Universidade de Berlim – e Ludwig Feuerbach – seus conceitos materialistas. Além deles, Adam Smith e David Ricardo foram de grande influência para Marx.

3) Qual a relação entre Marx e a sociologia?

   Karl Marx parte da necessidade de transformação no mundo. Busca explicitar os totais da sociedade capitalista de forma a denunciar as estruturas e abrir brechas para sua transformação. Para Marx são as condições de vida que determinam o pensamento e a condição dos indivíduos, sempre tratados como categorias representantes do coletivo.  O sistema capitalista tem em sua estrutura principal duas classes que se determinam por relações de propriedade. Os possuidores de capital são os integrantes da classe dos capitalistas. Os demais são componentes da classe operária.
   Toda nova organização social surge da sociedade anterior. Sociedades não se formam do espaço, mas da reorganização de sociedades anteriores, através de violentas rupturas.  Assim sendo, a sociedade capitalista atual originou-se da sociedade feudal, que por sua vez teve origens em outra sociedade, que sucessivamente nos levam à origens de nossas sociedades comunais.

4) O que é idealismo para Marx?

   O idealismo vê os homens como determinados pelas ideias. Os homens mudam porque a educação de novas ideias e novos desejos fazem-nos mudar.
   No lugar do espírito guiando os homens, são os homens em sua práxis real que fazem, sem saber, a história. Assim Marx cria o materialismo histórico e dialético com o qual pretende se contrapor aquele idealismo de Hegel que é o ponto culminante da filosofia.
   De acordo com o marxismo, tudo o que não for marxismo é idealismo.

5) Como Marx define o materialismo?

Marx afirma que há o materialismo histórico e o dialético e para, ele, o materialismo é a atividade sensível humano, práxis, utilizando-se do conceito de materialismo de Feuerbach (cujo objetivo era trazer o céu para a Terra, ao afirmar que o homem que criou Deus à sua imagem e semelhança.), e o expandiu com a subjetividade, “separando-o” em materialismo histórico e materialismo dialético.

Marx escreveu: “Podemos distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião — por tudo o que se quiser. Mas eles começam a distinguir-se dos animais assim que começam a produzir os seus meios de vida, passo este que é condicionado pela sua organização física. Ao produzirem os seus meios de vida, os homens produzem indirectamente a sua própria vida material.” E continuou: “Revela-se, assim, logo de princípio, uma conexão materialista dos homens entre si, a qual é condicionada pelas necessidades e pelo modo da produção e tão velha como os próprios homens — uma conexão que assume sempre formas novas e que, por conseguinte, apresenta uma “história”, mesmo que não exista um qualquer absurdo político ou religioso que una ainda mais os homens.”(Marx, Karl A Ideologia Alemã).
6) O que Marx quer dizer ao afirmar que Feuerbach “não toma a própria atividade humana como atividade objetiva”?

Marx afirma isso, pois ele crê que o materialismo conhecido e difundido (inclusive o de Feuerbach) é insuficiente, pois não é visualizado como uma atividade sensível humana ou subjetivamente e, portanto, o lado ativo foi desenvolvido pelo idealismo (abstratamente, pois o idealismo não conhece a atividade sensível). Marx afirma que Feuerbach quer objetos sensíveis distintos dos objetos do pensamento, ou seja, ele não considera as subjetividades da Essência do Cristianismo, considerando somente suas atitudes teóricas como genuinamente humanas.

Como escreveu Marx no capítulo 2 de A Ideologia Alemã: “Ele[Feuebach] não vê que o mundo sensível que o rodeia não é uma coisa dada directamente da eternidade, sempre igual a si mesma, mas antes o produto da indústria e do estado em que se encontra a sociedade, e precisamente no sentido de que ele é um produto histórico, o resultado da actividade de toda uma série de gerações, cada uma das quais aos ombros da anterior e desenvolvendo a sua indústria e o seu intercâmbio e modificando a sua ordem social de acordo com necessidades já diferentes.”.

7) Compare a frase de Marx “a essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo” com as ideias de Durkheim sobre a relação indivíduo e sociedade.

“A essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo”, cujo complemento é “Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais.”, o que é comparável com o pensamento de Durkheim em diversos pontos, pois Marx (se formos analisar pelas teorias de Durkheim) afirma que a consciência humana é predominantemente consciência coletiva, não havendo assim uma predominância da consciência individual, o que entraria em contraste com as ideias de Durkheim, pois ele considera que a consciência individual aumenta conforme há a Divisão do Trabalho e o que Marx afirma é o oposto, considerando assim sua sociedade já capitalista uma sociedade de solidariedade mecânica e, sendo assim, o indivíduo será um objeto para e da sociedade.

FONTES:

As Dialéticas de Hegel e Marx

Biografia Karl Marx

Materialismo Histórico e Materialismo Dialético

Marx, Karl Teses sobre Feuerbach

Marx, Karl A Ideologia Alemã – Capítulo 1

Práxis por Marx e Gramsci

Sociologia – Marx, Weber e Durkheim

 
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Publicado por em 18 de março de 2012 em EDS

 

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Émile Durkheim – Solidariedade Mecânica e Solidariedade Orgânica


1) Qual a relação entre independência dos indivíduos e a divisão do trabalho social?

A divisão do trabalho ultrapassa o âmbito dos interesses econômicos, porque ela consiste no estabelecimento de uma ordem social e moral. Os indivíduos são ligados uns aos outros, de tal forma que, sem isso, seriam independentes; em vez de se desenvolverem separadamente, eles ajustam seus esforços; eles são solidários, por meio de uma solidariedade que não age somente nos curtos períodos em que se trocam serviços, mas que se estende muito além.

2) O que é solidariedade e qual o seu papel social?

Solidariedade liga o indivíduo com a sociedade; não consiste somente numa ligação geral e indeterminada do indivíduo ao grupo, mas torna também harmônicos os pormenores dessa conexão. Como os objetos coletivos são sempre os mesmos, sempre têm os mesmos efeitos. Sua função é manter intacta a coesão social, ao manter a consciência coletiva em toda a sua vitalidade. Se negada, perderia sua força se uma reação emocional da comunidade não vier compensar essa parte, ocorre o relaxamento da solidariedade social.

3) O que é solidariedade mecânica?

A solidariedade mecânica considera mais importante a consciência coletiva superior à consciência individual, suprimindo – por assim dizer – a personalidade do indivíduo. Ou seja, o indivíduo é uma coisa da sociedade e a consciência individual é uma simples dependência do tipo coletivo e todos os indivíduos são parecidos. Necessidade de um conjunto de crenças e sentimentos comuns a todos os membros mais ou menos organizado.

4) Onde encontramos a solidariedade mecânica?

Sociedades em que não há divisão do trabalho, ou seja, sociedades consideradas primitivas ou pré-capitalistas, como clãs e tribos.

5) Explique se a solidariedade diminui ou cresce conforme aumenta o excedente produtivo de
uma dada sociedade.

Quando há o excedente produtivo, a sociedade começa a dividir o trabalho, levando de uma solidariedade mecânica a uma solidariedade orgânica, o que é uma redução do poder coercitivo a consciência coletiva, o que leva ao próprio interesse das sociedades capitalistas. O que leva, a uma aproximação com a solidariedade proposta por Durkheim.

6) O que é solidariedade orgânica?

Sociedade que possui divisão de trabalho, mais desenvolvida se comparada à solidariedade mecânica; indivíduos diferentes, possibilidade de cada um possuir sua própria personalidade e esfera de ação, com a consciência coletiva deixando espaço para a consciência individual. A  coesão resultante dessa solidariedade é mais forte. É dependente da sociedade, porque é dependente das partes que a compõem.

Em resumo, as diferenças entre as solidariedades orgânica e mecânica:

Fonte: Café com Sociologia

7) Explique a divisão do trabalho social.

A Divisão do trabalho social para Durkheim era uma forma de livrar a sociedade da anomia e aproximá-la de uma sociedade cujas funções sociais fossem o mais próximo possível das funções dos órgãos num organismo vivo, existindo assim uma solidariedade orgânica, sem que haja somente a repetição das consciências coletivas e sim um desenvolvimento maior do indivíduo em prol da sociedade. Pelas palavras de Durkheim: “É a esse estado de anomia que devem ser atribuídos, como mostraremos, os conflitos incessantemente renascentes e as desordens de todo tipo de que o mundo econômico nos dá o triste espetáculo. Porque, como nada contém as forças em presença e não lhes atribui limites que sejam obrigados a respeitar elas tendem a se desenvolver sem termos e acabem se entrechocando, para se reprimirem e se reduzirem mutuamente.(…) As paixões humanas só se detêm diante de uma força moral que elas respeitam. Se qualquer autoridade desse gênero inexiste, é a lei do mais forte que reina e. latente ou agudo, o estado de guerra é necessariamente crônico.” (DURKHEIM, VII: 2004)

8) Por que ocorre a preponderância progressiva da solidariedade orgânica?

O progressivo crescimento da solidariedade orgânica está ligado a diversidade de valores sociais, a consciência coletiva perde espaço quando os indivíduos expressam interesses diferentes. À medida que a consciência coletiva se afrouxa, os indivíduos passam a não compartilharem dos mesmos valores e crenças sociais,dando espaço à consciência individual que expressa o que temos de pessoal e distinto. Esse crescimento é evidenciado nas sociedades modernas, em especial nas sociedades complexas capitalistas.
9) O que é anomia social?
O significado de anomia está presente a ideia da falta ou abandono das normas sociais de comportamento. Assim sendo, pode-se afirmar que a anomia indica desvio de comportamento, que pode ocorrer por ausência de lei, conflito de normas, ou ainda desorganização pessoal.
10) Para Durkheim, quando ocorre uma situação de anomia social?
a) A sociedade moderna, para poder atingir os seus fins, inclusive de produção e sobrevivência, precisa organizar-se;
b) Organização impõe divisão de trabalho ou tarefas;
c) A divisão de tarefas produz especialização;
d) A especialização ocasiona isolamento dentro do grupo, motivando, por sua vez, um enfraquecimento do espírito de solidariedade do grupo global;
e) O enfraquecimento desse espírito de solidariedade acarreta uma influência dissolvente e, por via de consequência, o comportamento de desvio.
FONTES:
 
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Publicado por em 11 de março de 2012 em EDS

 

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Émile Durkheim – 2ª atividade


1. O que são julgamentos de valor?
Quando o julgamento exprime uma “realidade objetiva”, dizemos que é um julgamento de valor, existindo independentemente dos indivíduos . Como escreveu Durkheim: “Assim quando estamos em desacordo com alguém sobre a maneira de concebê-lo e estimá-lo, tentamos comunicar-lhe nossas convicções. Não nos contentamos em afirmá-las; procuramos demonstrá-las dando, em apoio de nossas afirmações , razões de ordem impessoal. Admitimos , pois, implicitamente, que esses julgamentos correspondam a uma realidade objetiva, sobre a qual o acordo pode e deve ser feito. São essas realidades sui generis que constituem os valores, e os julgamentos de valor são aqueles que se relacionam com essas realidades. (…)”

2. O que são julgamentos de realidade?
Julgamentos de realidade (ou julgamentos de existência) são aqueles que têm por objetivo exprimir fatos, enunciando aquilo que existe, como por exemplo, o volume dos gases varia inversamente proporcional à pressão exercida ou preferências individuais.

3) Qual a relação entre julgamento de valor e julgamento de realidade?

Não existe entre eles diferenças de natureza. Um julgamento de valor exprime a relação de uma coisa com um ideal. O ideal é dado como a coisa, ainda que de outra maneira, logo uma realidade a seu modo. Os elementos do julgamento são os mesmos de parte a parte. Entretanto, isto não quer dizer que o primeiro desses julgamentos conduza ao segundo ou reciprocamente. Se eles se assemelham é porque são obra de uma única faculdade. Não há uma maneira de pensar e de julgar para estabelecer existências e outra para avaliar valores. Por outro lado, todo julgamento põe em ação os ideais. Não existe, portanto, mais do que uma única faculdade de julgar.

4) O que os julgamentos de realidade têm a ver com ciência positiva?

Os principais fenômenos sociais, religião, moral direito, economia, estética, são apenas sistemas de valores, e portanto, ideais. A sociologia coloca-se inteira no ideal; ela não chega a ele no fim de suas pesquisas, mas parte dele. O ideal é seu domínio. Entretanto, e é por isso que poderia qualificá-la de positiva, ela só trata do ideal para dele estabelecer a ciência. Ela não cogita de construí-lo, mas a toma como um dado, como um objeto de estudo, e tenta analisá-lo e explicá-lo. Vê a faculdade do ideal como uma faculdade natural, da qual procura as causas e as condições, com a finalidade de ajudar os homens a disciplinar o seu funcionamento.
5) O que é moral para Durkheim?

“Moral é, na verdade, um sistema de regras de conduta. Porém, a moral possui uma autoridade especial. Neste caso, a obrigação é a primeira regra.
O  autor  disserta  sobre  a  consciência  moral,  observando,  primeiramente,  que  a moral sobre  a  sociedade  como  um  todo,  na  ligação  dos  indivíduos  com  os  grupos.  Sendo assim,  para  explicar  as  características  do  fato  moral,  Durkheim  argumenta  que  a sociedade é um bem desejável para o individuo, logo, o individuo não  pode  viver  sem  a  sociedade. Então negá-la seria  negar­-se  a  si  próprio. Outra característica importante é que a moral deve estar em sintonia com o contexto de sua época, ou seja, ela não pode se diferenciar da moral presente na sociedade em questão, pois isso também seria negar a sociedade e o próprio individuo inserido nesse processo.”
6) O valor moral da sociedade equivale a soma dos valores morais individuais?
“A moral começa portanto onde começa a vida em grupo, pois é aí apenas que o devotamento e o desinteresse adquirem sentido. Digo vida em grupo de maneira geral. Sem  dúvida, há grupos diferentes, família corporação, cidade (…)  Basta marcar o ponto onde parece começar o domínio da vida moral, diferenciação. Ora, ele começa desde que haja  vinculação a um grupo, por mais restrito que seja.” (Ibid, p. 59).
“Durkheim, ao notar que a sociedade é a finalidade de toda atividade moral, explica porque exsite esse sistema de regras morais. dividindo sua argumentação em dois cernes, ele observa que a sociedade é mais que uma potência material, sendo uma potência moral, pois a sociedade produz as regrais morais e as regula, transmitindo-as aos individuos e ao mesmo tempo em que a sociedade ultrapassa o indivíduo, ela lhe é interior, uma vez que não pode viver senão nesses e para esses indivíduos. O segundo cerne da argumentação reside no fato de, como já visto acima, a sociedade ser uma autoridade moral, entendendo que todas as regras morais são produtos de fatores sociais determinados. Ele ressalta que cada sociedade tem sua moral específica, contextualizada. Assim, Durkheim tenta demonstrar que apesar de a sociedade nos ordenar por ser exterior e superior a nós, com autoridade, nós recebemos o conjunto moral como interior, sendo esse conjunto o que nós somos e que agimos a partir dele.”
7) Quais exemplos que podemos dar da visão Durkheimiana da relação entre moral e sociedade?
Existem dois exemplos conhecidos da visão Durkheimiana entre moral e sociedade, são eles o suicídio e a divisão de trabalho.
          O suicídio é considerado um ato individual, resultante do meio social que cerca o indivíduo. A ausência de regras claramente definidas que regulem o comportamento dos indivíduos na sociedade, ou seja, não há lei nem regras, os indivíduos sentem-se perdidos, sem valores de comportamentos para seguirem. Existem basicamente 3 tipos de suicídio:
            Suicídio egoísta: “ (…) caracterizado por um estado de depressão e de apatia, fruto de um individualismo exagerado.” (Durkheim).
-        Suicídio altruísta:  caracteriza-se por uma integração social desmedidamente forte, pois o individuo pode suicidar se por estar perdido na sociedade que o acolhe, mas também pode faze-lo caso esteja demasiado integrado nela.
-         Suicídio anômico: O suicídio anómico é o tipo de suicídio que ocorre com uma maior frequência nas sociedades modernas. Ele acontece quando as normas sociais e leis que governam a sociedade não correspondem com os objetivos de vida do indivíduo. Uma vez que o indivíduo não se identifica com as normas da sociedade, o suicídio passa a ser uma alternativa de escapar.
            A divisão do trabalho não é apenas um fenômeno econômico, mas um fenômeno social e, portanto, gerador de vínculos de solidariedade.  A divisão do trabalho alcança as camadas mais profundas da consciência moral. Seguindo o exemplo de um organismo biológico, onde cada órgão tem uma função e depende dos outros para sobreviver, se cada membro da sociedade exercer uma função na divisão do trabalho, ele será obrigado a participar de um sistema de direitos e deveres, e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros. O importante para Durkheim é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo, que realmente precise da sociedade de forma orgânica, não apenas mecânica.

Além disso, podemos citar as regras familiares e religiosas. Essas regras garantem harmonia e controle sobre as desobediências individuais. Isso pode ser descrito como a conduta do individuo perante a sociedade. “Os principais fenômenos sociais, religião, moral, direito, economia, estética, são apenas sistemas de valores e, portanto, ideais. A sociologia coloca-se, pois, inteira no ideal; ela não chega a ele lentamente, ao fim de suas pesquisas; ela parte dele. O ideal é seu domínio. Entretanto (e é por isso que se poderia qualificá-la de positiva se unir a um nome de ciência esse adjetivo não criasse um pleonasmo) ela só trata do ideal para dele estabelecer a ciência. Ela não cogita de construí-lo: ao contrário, ela o toma como um dado, como um objeto de estudo, e tenta analisá-lo e explicá-lo.” (Durkheim)
Fontes:
Durkheim, E. “Sociologie et Sciences Sociales”:Divisões da Sociologia: As Ciências Sociais Particulares.
A moral em Emile Durkheim. Autora: Marina Félix de Melo – doutoranda do programa de pós-graduação em sociologia da Universidade Federal de Pernambuco – 2009
 
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Publicado por em 5 de março de 2012 em EDS

 

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Émile Durkheim


1)Quem é Émile Durkheim?

Émile Durkheim (15/4/1858 – 15/11/1917). Considerado por muitos o pai da Sociologia, provém de uma família judia pobre da região da Lorena, não quis, porém, seguir o caminho do rabinato, como era costume em sua família. Graças a amigos e em 1879, consegue entrar na Escola Normal Superior de Paris.

Em 1887, torna-se o primeiro professor de Sociologia da França, na Faculdade de Letras de Bordeaux (1887 – 1902). A partir de 1902, foi auxiliar de Ferdinand Buisson (um cofundador dos Direitos do Homem¹) na cadeira de ciência da educação em Sorbonne, sucedendo-o em 1906, como viveu num período em que houve expansão da ciência humana, como por exemplo as pesquisas de Sigmund Freud e Charles Darwin. Graças à influência de Durkheim, as escolas públicas da França tornaram seu ensino laico, na Terceira República Francesa.

Suas obras mais conhecidas são A Divisão do Trabalho Social O Suicídio.

Morreu em 1917 pela tristeza de ter perdido o filho na I Guerra Mundial, supostamente.

2) Qual a sua relação com o positivismo?

Durkheim escreveu: “Mas, se num certo sentido, a Sociologia é uma ciência una, não deixa de abranger uma pluralidade de questões e, portanto de ciências particulares. (…) Comte já havia sentido a necessidade de dividi-la: distinguia duas partes, a Estática e a Dinâmica Sociais. A Estática estuda as sociedades consideradas fixas num momento de sua evolução e pesquisa as leis de seu equilíbrio. (…) A Dinâmica, ao contrário, considera as sociedades na sua evolução e se empenha em descobrir a lei de seu desenvolvimento.”

A única lei que a Dinâmica social obedeceria, para Comte, seria a Lei dos Três Estados e pesquisá-la seria o único objeto da Dinâmica Social; e, assim sendo, toda a Sociologia se reduziria a uma questão única e no dia que essa questão fosse respondida (Comte acreditava que havia encontrado a resposta) a ciência estaria completa. Porém, como as ciências positivas não podem jamais serem acabadas e a Sociologia, como a ciência positiva que é, não poderia ser sustentada por uma só questão e sim por várias que abrangessem diferentes partes da vida social. Apesar de ser classificado como positivista e/ou sociologista, é considerado por muitos como o “herdeiro de Comte” pois seu pensamento considera as ciências positivas como a posição mais plausível do homem ao mundo externo a si.

3) Como Durkheim dividia a Sociologia?
Durkheim dividiu a sociologia em 3 partes:
1) Morfologia social, que estudaria a estrutura material da sociedade, como a densidade da população, a distribuição dos grupos que a compõem, seu volume e também a explicação de tais fatos, como o por quê da concentração dos povos em certos pontos, causas que determinam ou limitam o desenvolvimento das cidades, etc.2) Fisiologia social, que estudaria as manifestações vitais da sociedade. Por ser muito complexa, compreende uma pluralidade de ciências particulares, entre elas:
* Sociologia Religiosa: o estudo da religião
*Sociologia Moral: o estudo das ideias morais e os costumes
* Sociologia Jurídica: o caráter social das instituições jurídicas
*Sociologia Econômica: o estudo das instituições econômicas
* Sociologia Linguistica: o estudo sociológico da linguagem
* Sociologia Estética: o estudo da estética ligado a diferentes grupos sociais3) Sociologia Geral, seria a parte filosófica ou teórica da ciência. Trataria dos problemas teóricos que exigissem sínteses, unificação.
4) Por que é da Natureza das ciências positivas não serem jamais acabadas?
“As realidades de que tratam são muito complexas para poderem ser algum dia esgotadas. Se a Sociologia é uma ciência positiva, pode-se garantir que ela não se limita a um só problema, mas, ao contrário, abrange diferentes partes, quais sejam, as ciências distintas que correspondem aos diversos aspectos da vida social.”
 5) Qual a relação entre Moral e Vida Social para Durkheim?
A idéia básica é que a moral deva ser uma regra determinante da conduta, fixando o comportamento de forma a reduzir o arbítrio individual, além de estabelecer a regularidade de hábitos em condições determinadas.

Associada à idéia do condicionamento da moralidade, Durkheim argumenta sobre a necessidade humana de interessar-se por algo distinto de si mesmo mediante o vínculo com grupos sociais e a devida solidariedade a estes.
Esse vínculo social é considerando o segundo elemento da moralidade. Uma moralidade compreendida como uma mescla de razão e sentimentos, um dualismo entre a autonomia e a heteronomia, uma natureza marcada pela vontade arrazoada e a obrigação. Para Durkheim, não há no homem uma unicidade de razão que lhe permita ter uma autonomia plena de sua vontade.
A vida social de um indivíduo deveria fazer com que ele se sinta parte de um todo, que o indivíduo tenha uma vida social realmente participativa, de forma orgânica, interiorizada e não meramente mecânica. Se cada membro exercer uma função específica na divisão do trabalho da sociedade, ele estará vinculado a ela através de um sistema de direitos e deveres, e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros.
6) O que é um fato social?
O conceito de Fato Social está ligado à três características básicas: Coerção Social;  Exterioridade em Relação ao Indivíduo e Generalidade.
 –> A coerção pode ser entendida como a força que leva os indivíduos a agirem de determinado modo, de acordo com os próprios fatos sociais. As coerções podem ser Legais ou Morais, sendo que as primeiras estão prescritas em lei e as segundas afloram da própria sociedade.

—> Fatos sociais são Exteriores aos Indivíduos. Tal caráter tem o sentido de afirmar que os indivíduos ao nascerem já encontram os fatos sociais  (regras, costumes, leis, religião e etc.) postos e são obrigados a aceitá-los mediante coerção social, tal qual a educação. Ao indivíduo não é dado o direito de opinar.
—>Generalidade. Por geral se entende os fatos que se repetem em todos os indivíduos ou, pelo menos, na maioria deles; o que é comum a todas as sociedades.
A definição do fato social como maneiras de agir, pensar e sentir que se impõem ao indivíduo delimita o domínio da sociologia. Durkheim exige do sociólogo uma atitude de desconfiança em relação ao saber anterior de que todos dispomos sobre a realidade social, pelo mero fato de participarmos dela.
7) Qual a relação entre o comportamento individual e as maneiras de ser coletivas?
O indivíduo é fruto da sociedade e esta possui características que estão além seu comportamento individual. Os indivíduos que possuem comportamento individual que foge da consciência coletiva, estado que Durkheim chamou de “anomia”, estão mais sujeitos a cometerem atos condenáveis.
Fontes: 
Durkheim, E. “Sociologie et Sciences Sociales”:Divisões da Sociologia: As Ciências Sociais Particulares.
 
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Publicado por em 27 de fevereiro de 2012 em EDS

 

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